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	<title>Journal de Etica y Cine</title>
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<item xml:lang="es">
		<title>Cinema na Escola do Vidigal</title>
		<link>https://journal.eticaycine.org/Cine-en-la-Escuela-de-Vidigal</link>
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		<dc:date>2021-08-23T15:01:10Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>es</dc:language>
		<dc:creator>Marta Guedes; Adriana Fresquet</dc:creator>



		<description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Resumo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O artigo aborda uma reflex&#227;o impregnada na filosofia de Walter Benjamin e Giorgio Agambem que surge de uma pr&#225;tica do cotidiano escolar articulada com a comunidade, o cinema, a cinemateca e a universidade. A Escola de Cinema do Djalma/CINEAD investigou, com o gesto de cria&#231;&#227;o cinematogr&#225;fica compartilhado entre professora e estudantes, a hist&#243;ria da favela do Vidigal, Rio de Janeiro. A partir desta aposta, todo um campo de pesquisa constitui-se, e com ele a descoberta e a restaura&#231;&#227;o, em parceria com a Cinemateca do MAM-Rio, de imagens Super-8, fotografias e fitas cassete sobre a luta dos moradores da favela do Vidigal contra sua remo&#231;&#227;o para o Conjunto Habitacional de Antares/Santa Cruz em 1977/78. O artigo desenvolve parte dessa trajet&#243;ria de investiga&#231;&#227;o com a elabora&#231;&#227;o de uma mem&#243;ria de luta da favela na escola.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Palavras-chave:&lt;/strong&gt; Cinema | Escola | Arquivo | Favela do Vidigal | Filosofia e Mem&#243;ria | Cinemateca do MAM-Rio&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href='https://journal.eticaycine.org/Cine-en-la-Escuela-de-Vidigal-609' class=&#034;spip_in&#034;&gt;Vers&#227;o em espanhol&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href='https://journal.eticaycine.org/Cinema-in-the-Vidigal-School' class=&#034;spip_in&#034;&gt;Abstract English Version&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

-
&lt;a href="https://journal.eticaycine.org/-Volumen-11-Nro-2-" rel="directory"&gt;Volumen 11 | Nro 2 | Julio 2021&lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_chapo'&gt;&lt;p&gt;Universidade Federal do Rio de Janeiro&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Introdu&#231;&#227;o&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;Remeter o passado ao presente. Magia do presente.&lt;br class='autobr' /&gt;
(Bresson, 2008, p. 48)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;A Escola de Cinema do Djalma - CINEAD&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;A Escola de Cinema do Djalma foi implementada em 2012 na Escola Municipal (&#8230;)&#034; id=&#034;nh1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; - apostou em pesquisar a hist&#243;ria da favela do Vidigal com o cinema na escola. A favela do Vidigal j&#225; sofreu diversas amea&#231;as de remo&#231;&#227;o. Em 1977/78 ocorreu a maior delas. Parte da favela seria removida para o Conjunto Habitacional de Antares/Santa Cruz. Na &#233;poca um grupo de bravos guerreiros, dirigentes da Associa&#231;&#227;o dos Moradores da Vila do Vidigal, com o apoio da Pastoral das Favelas, de artistas da comunidade e simpatizantes da causa, impediu a remo&#231;&#227;o. Nossa inser&#231;&#227;o nessa hist&#243;ria come&#231;a em 2011, quando submetemos a escola municipal Prefeito Djalma Maranh&#227;o (escola de ensino fundamental) ao edital de cria&#231;&#227;o de escolas de cinema em escolas p&#250;blicas, e assim levamos o CINEAD para nossa escola do Vidigal. Desde o edital, apostamos que dev&#237;amos pesquisar com o cinema na escola a hist&#243;ria da favela. Essa aposta nasceu do entendimento, como bem diz Walter Benjamin (2009), de que n&#227;o h&#225; luta poss&#237;vel pelo futuro sem mem&#243;ria do passado. Enquanto professora docente de educa&#231;&#227;o f&#237;sica h&#225; mais de 20 anos na referida escola, percebi que tanto os estudantes quanto n&#243;s professores precis&#225;vamos conhecer uma hist&#243;ria que a maioria desconhecia. Mas, foi somente em 2015 que alcan&#231;amos nosso objetivo de envolver a comunidade escolar como um todo e realizar nosso document&#225;rio &lt;i&gt;Para&#237;so Tropical Vidigal&lt;/i&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Dispon&#237;vel:&#034; id=&#034;nh2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Conseguimos que o tema do projeto pedag&#243;gico daquele ano fosse a investiga&#231;&#227;o da hist&#243;ria da favela. Os estudantes da escola de cinema ficaram respons&#225;veis por gravar as produ&#231;&#245;es das turmas escolares, e por subir a favela a p&#233; entrevistando os moradores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partir da exibi&#231;&#227;o de trechos de &lt;i&gt;Para&#237;so Tropical Vidigal&lt;/i&gt;, em 2016, no evento pelos 10 anos do CINEAD na Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM-Rio), tomamos conhecimento que Fel&#237;cia Krumholz, curadora da Mostra Gera&#231;&#227;o do Festival do Rio e membro do CINEDUC&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;CINEDUC &#8211; Cinema e Educa&#231;&#227;o &#8211; foi criado em 1970 com a preocupa&#231;&#227;o de dar &#224;s (&#8230;)&#034; id=&#034;nh3&#034;&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, havia filmado em super-8&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb4&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Lan&#231;ado pela Kodak em 1965, o super-8 &#233; uma evolu&#231;&#227;o da pel&#237;cula 8mm, com (&#8230;)&#034; id=&#034;nh4&#034;&gt;4&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, na d&#233;cada de 1970, a resist&#234;ncia dos moradores da favela do Vidigal &#224; remo&#231;&#227;o para o sub&#250;rbio de Santa Cruz/Antares e mantivera guardada a c&#243;pia desse material em uma caixa de isopor, por 40 anos, em cima de um arm&#225;rio de sua casa. Fel&#237;cia n&#227;o sabia que &#8220;os meninos do tr&#225;fico&#8221; haviam incendiado os originais que ela entregara &#224; Associa&#231;&#227;o dos Moradores da Vila do Vidigal. N&#243;s a (re)colocamos em contato com os antigos moradores/ativistas e, em agosto de 2017, a Escola de Cinema do Djalma produziu o evento &lt;i&gt;40 anos de Resist&#234;ncia do Vidigal&lt;/i&gt;, no col&#233;gio Djalma Maranh&#227;o, quando tivemos a oportunidade de reunir os principais personagens da luta e resist&#234;ncia de outrora com os atuais. Neste evento Fel&#237;cia anunciou sua caixa de isopor com o material de arquivo e decidiu doar a n&#243;s para restaur&#225;-lo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em dezembro de 2017, em um ato simples, mas c&#233;lebre, convidamos alguns moradores da favela do Vidigal e os estudantes da Escola de Cinema do Djalma para abrimos a caixa de isopor da Fel&#237;cia na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A parceria celebrada pelo conv&#234;nio entre a Faculdade de Educa&#231;&#227;o da UFRJ e o MAM-Rio em 2008 nos proporcionava o encontro com os arquivos. Sob a tutela de Hernani Heffner&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb5&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Diretor da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio) e (&#8230;)&#034; id=&#034;nh5&#034;&gt;5&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, come&#231;amos o processo de recupera&#231;&#227;o do material. O acervo pessoal de Fel&#237;cia inclu&#237;a, al&#233;m dos filmes super-8, negativos de fotografias e fitas cassete com entrevistas da &#233;poca. Esse material foi doado definitivamente e agora faz parte do Acervo da Cinemateca, sob o Lote da Associa&#231;&#227;o dos Moradores da Vila do Vidigal, e est&#225; preservado em quatro diferentes m&#237;dias: super-8, Mini DV, HD, e salvo tamb&#233;m em DVD.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em agosto de 2018, com todo esse material de arquivo j&#225; restaurado, promovemos o evento &lt;i&gt;Vidigal: imagens, mem&#243;ria e resist&#234;ncia&lt;/i&gt; nesta Cinemateca, que se tornava para n&#243;s um lugar m&#225;gico, dada a natureza dos encontros que ali vivenci&#225;vamos. O evento contou com a presen&#231;a dos antigos moradores/ativistas, dos atuais moradores/ativistas, dos estudantes da Escola de Cinema do Djalma e do grupo CINEAD/LECAV. Os coment&#225;rios dos moradores durante a proje&#231;&#227;o revelavam emo&#231;&#227;o nas falas. A todo momento escut&#225;vamos solu&#231;os, risadas, cochichos, perguntas de reconhecimento e testemunhos advindos das imagens. Seria, portanto, como nos diz Didi-Huberman (2011), &#8220;a imagem o lampejo passante que transp&#245;e, tal um cometa, a imobilidade de todo o horizonte&#8221;? (p.117). Ali, naquele 13 de agosto de 2018, pens&#225;vamos que a tarefa estava encerrada. Por&#233;m, no dia seguinte, ao chegar &#224; escola, algumas crian&#231;as e jovens do projeto de cinema contavam que n&#227;o tinham dormido, s&#243; lembrando da Cinemateca do MAM-Rio e da proje&#231;&#227;o. Nessa mesma manh&#227;, o tiroteio na favela foi intenso e tivemos que nos abrigar no sal&#227;o mais protegido do col&#233;gio. Apesar do tumulto, aproveitamos o ensejo da reuni&#227;o, e mesmo sob o som das balas, pedi aos estudantes que haviam vivido a experi&#234;ncia do dia anterior no MAM, que a narrassem &#224;s outras crian&#231;as e jovens da escola. Foi muito instigante ver os mais velhos contarem as hist&#243;rias da v&#233;spera aos mais novos. Exatamente ali, sob o fogo cruzado das balas, alcancei o tamanho da tarefa que estava, ao contr&#225;rio do que eu imaginara, apenas por come&#231;ar. Era urgente realizar um novo document&#225;rio. Compreendi que os arquivos e os testemunhos tinham de se fazer presentes em um novo filme. Precis&#225;vamos elaborar uma mem&#243;ria coletiva de luta e resist&#234;ncia, que atravessasse tempos e espa&#231;os e mantivesse viva a esperan&#231;a de reden&#231;&#227;o a um passado/presente de pessoas em situa&#231;&#227;o de escravid&#227;o. Afinal, a articula&#231;&#227;o hist&#243;rica do passado n&#227;o significa reconhec&#234;-lo como de fato aconteceu, mas sim apropriar-se de uma recorda&#231;&#227;o como ela relampeja no momento do perigo. &#8220;Uma telescopage do passado atrav&#233;s do presente&#8221; (Benjamin, 2009, p.512).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em 2019, paralelamente &#224; realiza&#231;&#227;o de uma oficina com estudantes da Escola de Cinema do Djalma, come&#231;amos um processo de montagem dos arquivos f&#237;lmicos e sonoros restaurados. Em duas semanas, fomos fazendo pequenos exerc&#237;cios de montagem e apresentando-os a todos os estudantes dos 3&#186;, 4&#186; e 5&#186; anos da escola em nossas sess&#245;es cineclubistas. A partir dos coment&#225;rios deles, a ideia da montagem de &lt;i&gt;Vidigal: exerc&#237;cios de pensamento&lt;/i&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb6&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Dispon&#237;vel no site do CINEAD:&#034; id=&#034;nh6&#034;&gt;6&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; surgiu na terceira semana, como um lampejo fulgurante, e foi apresentada na sess&#227;o IN: Museus, cinematecas, no XXIII Encontro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE) em Porto Alegre, 2019, causando bastante emo&#231;&#227;o/repercuss&#227;o. &#8220;Emocionar n&#227;o com imagens emocionantes, mas com combina&#231;&#245;es de imagens que as tornem ao mesmo tempo vivas e emocionantes&#8221; (Bresson, 2008, p. 71). Antes de apresent&#225;-la na SOCINE para ser discutida, foi exibida na escola e todas as sugest&#245;es dos estudantes foram incorporadas. Foi deveras interessante perceber a aten&#231;&#227;o, a emo&#231;&#227;o e o reconhecimento do grupo de cineastas, preservadores e estudantes de cinema pela nossa montagem &lt;i&gt;Vidigal: exerc&#237;cios de pensamento&lt;/i&gt; e pelo trabalho da Escola de Cinema do Djalma apresentados; afinal o contexto era o de uma tese em educa&#231;&#227;o e realizada no cen&#225;rio da educa&#231;&#227;o b&#225;sica na favela, mas como diz Fresquet (2013), &#8220;os poss&#237;veis v&#237;nculos entre o cinema e a educa&#231;&#227;o se multiplicam a cada momento, a cada nova iniciativa ou projeto que os coloca em di&#225;logo. Fundamentalmente, trata-se de um gesto de cria&#231;&#227;o que promove novas rela&#231;&#245;es entre as coisas, pessoas, lugares e &#233;pocas&#8221; (p.19). Destarte, no final de 2019 realizamos as grava&#231;&#245;es de um novo document&#225;rio intitulado &lt;i&gt;Morro do Vidigal&lt;/i&gt;. O document&#225;rio encontra-se em fase de montagem, nossa metodologia de filmagem se deu pelo confronto dos arquivos imag&#233;ticos e sonoros com as testemunhas da hist&#243;ria (Leandro, 2018). Nas filmagens, s&#227;o os arquivos f&#237;lmicos e sonoros que entrevistam os cinco ex-presidentes da Associa&#231;&#227;o dos Moradores da Vila do Vidigal, Armando Almeida Lima, Carlos Duque, Lu&#237;s Cl&#225;udio Lima da Silva, M&#225;rio S&#233;rgio Teixeira da Luz e Paulo Muniz, personagens da hist&#243;ria de luta e resist&#234;ncia da favela do Vidigal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Neste artigo desenvolvemos, em duas sess&#245;es, um pouco dessa caminhada da Escola de Cinema do Djalma com a elabora&#231;&#227;o de uma mem&#243;ria de luta da favela do Vidigal. Na primeira sess&#227;o abordamos o processo de restaura&#231;&#227;o do material f&#237;lmico e sonoro na Cinemateca do MAM-Rio, e a culmin&#226;ncia dessa empreitada com a realiza&#231;&#227;o do evento &lt;i&gt;Vidigal: imagens, mem&#243;ria e resist&#234;ncia&lt;/i&gt; em agosto de 2018. J&#225; a segunda sess&#227;o versa sobre a realiza&#231;&#227;o do curta &lt;i&gt;Vidigal: exerc&#237;cios de pensamento&lt;/i&gt; realizado somente com arquivos em 2019.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O arquivo em cena - &lt;i&gt;Vidigal: imagens, mem&#243;ria e resist&#234;ncia&lt;/i&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;N&#227;o se ressuscitam vidas encalhadas em um arquivo. Isso n&#227;o &#233; motivo para deix&#225;-las morrer uma segunda vez. O espa&#231;o &#233; estreito para elaborar uma narrativa que n&#227;o as anule nem as dissolva, que as mantenha dispon&#237;veis para que um dia, e em outro lugar, um outro relato seja feito de sua enigm&#225;tica presen&#231;a.&lt;br class='autobr' /&gt;
(Farge, 2017, p.117)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;&lt;div class='spip_document_1309 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_center spip_document_center'&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://journal.eticaycine.org/IMG/jpg/vidigal_1.jpg?1754362464' width='500' height='281' alt='' /&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Figura 1: Moviola, batoque, cilindros, &#225;lcool isoprop&#237;lico. Cinemateca do MAM-Rio. Mar&#231;o/abril de 2018. Fotografia de Marta Chamarelli.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partir de mar&#231;o de 2018, come&#231;amos o processo de recupera&#231;&#227;o/restaura&#231;&#227;o do material de arquivo de Fel&#237;cia Krunholz. Um verdadeiro legado audiovisual do Rio de Janeiro dos anos 1970 e que agora, a partir do projeto de cinema da escola, faz parte do acervo da Cinemateca do MAM-Rio. De acordo com Thais Blank, em sua tese de doutorado, &lt;i&gt;Da tomada &#224; retomada: origem e migra&#231;&#227;o do cinema dom&#233;stico brasileiro&lt;/i&gt; (2015), a chegada em um arquivo p&#250;blico, os cuidados de uma preserva&#231;&#227;o adequada e o poss&#237;vel retorno em pesquisas e em trabalhos art&#237;sticos parecem ser um destino reservado para poucas imagens desse cunho no Brasil. (p.22). A Escola de Cinema do Djalma foi respons&#225;vel pela limpeza, digitaliza&#231;&#227;o e telecinagem deste material.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No dia 26 de fevereiro de 2018, primeiro dia de trabalho na cinemateca, a cada rolinho de filme super-8, cada caixinha de slide, negativo de fotografia, folha amarelada de roteiro de filme que eram retirados da caixa de isopor da Fel&#237;cia, uma vibra&#231;&#227;o! A retirada e cataloga&#231;&#227;o do material duraram a manh&#227; toda. Os documentos em papel foram armazenados em cinco envelopes assim distribu&#237;dos: 1-documentos diversos, 2-fotos, contatos e negativos, 3-documentos (roteiro de pesquisa), 4-fita cassete entrevista Carlinhos Pernambuco e 5-tr&#234;s fitas cassete. O material f&#237;lmico foi separado e acondicionado em quinze latas apropriadas para tal armazenamento. A parte da tarde foi reservada para a leitura e a digitaliza&#231;&#227;o de toda aquela papelada: no total, 61 documentos em papel. Nas anota&#231;&#245;es do caderno de campo deste dia, toda a emo&#231;&#227;o de estar diante dos arquivos foi registrada. &#8220;Talvez todos os 13 pequenos rolos de super-8 sejam o material do rolo maior com o filme que fizeram, ser&#225;?&#8221;. De acordo com Farge (2017), &#8220;o arquivo imp&#245;e logo de in&#237;cio uma enorme contradi&#231;&#227;o; ao mesmo tempo em que invade e imerge, ele conduz, por sua desmesura, &#224; solid&#227;o&#8221; (p. 20). Estava ali, naquele dia, completamente tomada pelo arquivo e s&#243;. No caderno de campo eu escrevia: &#8220;o que ser&#225; que as imagens desses filmes v&#227;o nos mostrar sobre os combates da favela do Vidigal?&#8221;. &#8220;Ser&#225; que darei conta de trabalhar com eles?&#8221;. &#8220;Terei condi&#231;&#245;es de mont&#225;-los?&#8221;. Naquela noite, o adormecer foi lento. Um misto de sensa&#231;&#245;es me invadia.... &#8220;Paix&#227;o por arquivos n&#227;o evita as emboscadas. Seria falta de mod&#233;stia se considerar ao abrigo deles por t&#234;-los descoberto&#8221; (Farge, 2017, p. 77).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O processo todo n&#227;o foi t&#227;o r&#225;pido e s&#243; ver&#237;amos as primeiras imagens do outrora no dia 25 de maio de 2018, quando telecinamos&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb7&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Telecinar &#233; o m&#233;todo convencional utilizado para converter filmes em (&#8230;)&#034; id=&#034;nh7&#034;&gt;7&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; o primeiro filme do Vidigal, ap&#243;s muitos dias de limpeza e cataloga&#231;&#227;o dos mesmos. A nossa estadia na cinemateca foi de aprendizado e experi&#234;ncia &#250;nicos, que ainda hoje, ao escrevermos, nos emociona. Foi Hernani Heffner que separou o que era pass&#237;vel de salva&#231;&#227;o e o que j&#225; estava condenado. A partir da&#237;, eu e Marta Chamarelli&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb8&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Membro do CINEAD e volunt&#225;ria junto conosco na recupera&#231;&#227;o do material (&#8230;)&#034; id=&#034;nh8&#034;&gt;8&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; passamos todas as tardes dos meses de mar&#231;o e abril de 2018 realizando sess&#245;es de limpeza das pel&#237;culas, na Cinemateca do MAM-Rio. Uma verdadeira inicia&#231;&#227;o em um rito at&#233; ent&#227;o desconhecido por n&#243;s! Batoques&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb9&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Batoques s&#227;o protetores que servem para fixar os carreteis dos filmes na (&#8230;)&#034; id=&#034;nh9&#034;&gt;9&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, &#225;lcool isoprop&#237;lico&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb10&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;O &#225;lcool isoprop&#237;lico &#233; indicado na limpeza dos filmes, pois a percentagem (&#8230;)&#034; id=&#034;nh10&#034;&gt;10&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, moviolas&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb11&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Moviola era uma marca de equipamento de montagem cinematogr&#225;fica que, em (&#8230;)&#034; id=&#034;nh11&#034;&gt;11&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, carret&#233;is&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb12&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Cilindro de enrolar filmes.&#034; id=&#034;nh12&#034;&gt;12&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; decoravam naquele momento o nosso cen&#225;rio de trabalho. Desenrol&#225;vamos, limp&#225;vamos e enrol&#225;vamos de novo as pel&#237;culas, numa experi&#234;ncia t&#225;til muito particular que quem s&#243; conhece o filme digital jamais experimentar&#225;. T&#237;nhamos nas m&#227;os o filme como mat&#233;ria, objeto palp&#225;vel e n&#227;o bytes em um arquivo virtual. &#8220;O sabor do arquivo&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb13&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Entendemos &#8220;O sabor do arquivo&#8221; como o gosto pelos arquivos. T&#237;tulo da obra (&#8230;)&#034; id=&#034;nh13&#034;&gt;13&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; passa por esse gesto artes&#227;o, lento e pouco rent&#225;vel, em que se copiam textos, peda&#231;o por peda&#231;o, sem transformar a sua forma, sua ortografia, ou mesmo sua pontua&#231;&#227;o. Sem pensar muito nisso. E pensando o tempo todo&#8221; (Farge, 2017, p. 23).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Manipul&#225;vamos uma fina pel&#237;cula que quebra, amassa, fura, abalroa e que at&#233; o pr&#243;prio trabalho de limpeza, se um pouco mais intenso ou descuidado, pode destruir. O cheiro forte e acre do material das pel&#237;culas j&#225; em decomposi&#231;&#227;o e o pr&#243;prio ambiente da Cinemateca conferiam &#224;s nossas a&#231;&#245;es um sentimento de certa rever&#234;ncia por aquilo que est&#225; na imin&#234;ncia de ser perdido. Dir&#237;amos at&#233; que o nosso temor e cuidado pareciam similares aos de quem toca um objeto sagrado e fr&#225;gil, na tentativa de cuidar dele e evitar ou retardar o processo de degrada&#231;&#227;o e a inexor&#225;vel perda. Aquelas a&#231;&#245;es repetitivas e sistem&#225;ticas tinham um qu&#234; de ritual e de mist&#233;rio. Afinal, limp&#225;vamos, mas n&#227;o sab&#237;amos ao certo o qu&#234; e nem se havia ainda imagens pass&#237;veis de serem projetadas e intelig&#237;veis aos que vivenciaram as experi&#234;ncias da d&#233;cada de 1970. De acordo com Blank (2015), &#8220;as imagens que nos inquietam est&#227;o separadas de n&#243;s pelo espa&#231;o da hist&#243;ria, por um vazio de significados que nos impele a reconstruir suas trajet&#243;rias e que permite que elas sejam abertas para outros usos&#8221; (p. 23).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foram algumas semanas limpando e preenchendo fichas de entrada dos filmes na cinemateca. Estado das pel&#237;culas, condi&#231;&#245;es de armazenamento, metragem, desprendimento de emuls&#227;o, riscos de emuls&#227;o, encolhimento, abaulamento, fungos, riscos de suporte, perfura&#231;&#245;es estaladas, perfura&#231;&#245;es rompidas, rasgos, emenda n&#227;o original, grau t&#233;cnico &#8211; tudo para a telecinagem e digitaliza&#231;&#227;o do material &#8211; um outro mundo se abriu para n&#243;s naquela pequena sala da Cinemateca.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Conforme &#237;amos avan&#231;ando no processo de limpeza dos filmes, tamb&#233;m &#237;amos partilhando toda essa aprendizagem com os estudantes do projeto de cinema em nossas aulas na escola. Lev&#225;vamos o material original e mostr&#225;vamos o que est&#225;vamos fazendo. Os jovens da era digital ficavam espantados quando, por exemplo, explic&#225;vamos que est&#225;vamos limpando filmes, colando novas pontas a fim de poder telecin&#225;-los, pois s&#243; assim poder&#237;amos ver as imagens. Eles tamb&#233;m n&#227;o imaginavam que antigamente se montavam os filmes cortando com tesoura os fotogramas e os colando... Na verdade, existia uma coladeira que tinha um cortador para evitar muita manipula&#231;&#227;o da pel&#237;cula, mas tamb&#233;m se podia cortar com a tesoura mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com a limpeza conclu&#237;da, tivemos ent&#227;o a tarefa de colocar pontas novas em cada uma das pel&#237;culas para garantir que o filme entrasse no projetor e se procedesse com sucesso a telecinagem. Alguns filmes se encontravam em muito mau estado e suas pontas n&#227;o negavam isso. Uma vez rejeitadas pelo projetor, condenariam os filmes a n&#227;o entrarem na engrenagem ou poderiam levar a pel&#237;cula a se partir, impossibilitando recuper&#225;-los e transferi-los para uma m&#237;dia digital. Trocadas as pontas (outra emo&#231;&#227;o manipular os filmes dessa forma), iniciamos o acompanhamento do processo de telecinagem. Sim, porque um profissional faria isso, n&#243;s n&#227;o t&#237;nhamos nem equipamento para tal. Foram tamb&#233;m algumas semanas de trabalho, eram muitos os filmes e os problemas sempre apareciam. A cada pel&#237;cula introduzida no carretel, acompanhada, por um lado, pela trilha incidental do ru&#237;do caracter&#237;stico do projetor e, por outro, do cheiro avinagrado que parecia n&#227;o mais nos abandonar, surgia uma surpresa e &#233;ramos tomadas de muita emo&#231;&#227;o. De repente, toda aquela empreitada come&#231;ava a fazer sentido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As imagens apareciam: planos gerais do Vidigal 40 anos atr&#225;s, a Avenida Niemayer, os carros da &#233;poca, as casas de pau a pique ainda... Tudo nos trazia um tempo que n&#227;o volta mais, mas que nos remete &#224;s a&#231;&#245;es de um coletivo de pessoas que empenhou todos os seus esfor&#231;os em prol de um bem comum &#8211; defender o seu lugar de moradia. Nossa incurs&#227;o pelos caminhos da preserva&#231;&#227;o e recupera&#231;&#227;o de material f&#237;lmico havia logrado &#234;xito! L&#225; estavam os filmes &#8211; registros hist&#243;ricos de um movimento importante da hist&#243;ria dos movimentos sociais do Rio de Janeiro, das favelas e tamb&#233;m &#8211; por que n&#227;o? &#8211; do cinema super-8. M&#237;dia essa de vida curta, mas que certamente guarda importantes registros de uma d&#233;cada, em v&#225;rias caixinhas por a&#237; espalhadas. &#8220;Fragmentos de verdade at&#233; ent&#227;o retidos saltam &#224; vista: ofuscantes de nitidez e credibilidade. Sem d&#250;vida, a descoberta do arquivo &#233; um man&#225; que se oferece, justificando plenamente seu nome: fonte&#8221; (Farge, 2017, p. 15).&lt;/p&gt;
&lt;div class='spip_document_1310 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_center spip_document_center'&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://journal.eticaycine.org/IMG/jpg/vidigal_2.jpg?1754362464' width='500' height='333' alt='' /&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Figura 2: Favela do Vidigal 1977/78 &#8211; Carlos Pernambuco e sua fam&#237;lia. Fotografia de Fel&#237;cia Krumholz. Acervo Cinemateca do MAM-Rio &#8211; Lote da Associa&#231;&#227;o dos Moradores da Vila do Vidigal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em 13 de agosto de 2019, com todo material recuperado, promovemos o evento &lt;i&gt;Vidigal: imagens, mem&#243;ria e resist&#234;ncia&lt;/i&gt; nesta mesma Cinemateca a que j&#225; nos sent&#237;amos pertencentes, dadas as experi&#234;ncias que ali experiment&#225;vamos: o encontro com a cineasta amadora, o encontro com os arquivos em sua caixa de isopor, os deliciosos meses de limpeza e recupera&#231;&#227;o do material naquele ambiente instigante, e agora, de volta &#224; sala de cinema para exibir o material restaurado para os personagens desta hist&#243;ria de luta da favela. Nesta ocasi&#227;o, reunimos na sala de cinema do MAM-Rio muitos dos envolvidos na luta de ent&#227;o: antigos moradores/ativistas, colaboradores do combate pela n&#227;o remo&#231;&#227;o nos idos de 1977/78, atuais moradores da favela, estudantes do projeto de cinema da escola, professores do col&#233;gio Djalma Maranh&#227;o e integrantes do grupo de pesquisa CINEAD/LECAV.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O (re)encontro dos personagens da hist&#243;ria com as imagens de arquivo, com os companheiros de luta e com os jovens estudantes foi deveras emocionante. Os coment&#225;rios durante a proje&#231;&#227;o revelavam a emo&#231;&#227;o nas falas. O encontro das testemunhas com os arquivos j&#225; estava se dando como uma montagem dos acontecimentos de outrora. A voz, por vezes embargada, lembrava momentos do combate, da vit&#243;ria e tamb&#233;m da dor da perda de alguns que j&#225; n&#227;o estavam mais entre eles. Ao final, muitas conversas, &#8220;causos&#8221; narrados, abra&#231;os apertados e troca de telefones, pois muitos haviam perdido contato entre si.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sr. Armando Almeida Lima, um dos principais nomes da resist&#234;ncia no Vidigal, se recordou, por exemplo, de um fato para ele marcante: &#8220;olha, n&#243;s frequentemente d&#225;vamos entrevistas pensando que eram jornalistas, mas eram os homens do DOI-CODI&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb14&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Destacamento de Opera&#231;&#245;es de Informa&#231;&#227;o &#8211; Centro de Opera&#231;&#245;es de Defesa (&#8230;)&#034; id=&#034;nh14&#034;&gt;14&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; querendo informa&#231;&#245;es sobre o que est&#225;vamos fazendo...&#8221;. De acordo com Blank e Machado (2018), pesquisadores de filmes dom&#233;sticos, como Roger Odin, por exemplo, chamam a aten&#231;&#227;o para a import&#226;ncia dos coment&#225;rios durante a proje&#231;&#227;o das imagens, pois mais do que espectadores, s&#227;o personagens ativos que atuam na cria&#231;&#227;o coletiva da narrativa familiar. No nosso caso, da narrativa de luta, resist&#234;ncia e vit&#243;ria desse grupo de moradores/ativistas que, insurgindo-se em tempos ditatoriais e lutando por uma causa comum, evitou mais uma di&#225;spora em suas vidas. Uma narrativa no acontecimento proporcionada pelo contato com as imagens de arquivo na tela do cinema.&lt;/p&gt;
&lt;div class='spip_document_1311 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_center spip_document_center'&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://journal.eticaycine.org/IMG/jpg/vidigal_3.jpg?1754362464' width='500' height='347' alt='' /&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Figura 3: Armando Almeida Lima e Fel&#237;cia Krumholz narrando lembran&#231;as da luta pela n&#227;o remo&#231;&#227;o da favela do Vidigal em 1977/78. Evento &lt;i&gt;Vidigal: imagens, mem&#243;ria e resist&#234;ncia&lt;/i&gt;. 13 de agosto de 2018. Fotografia dos estudantes da Escola de Cinema do Djalma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na ocasi&#227;o, colocamos na porta da Cinemateca uma urna para que o p&#250;blico pudesse compartilhar opini&#245;es, sugest&#245;es, recorda&#231;&#245;es... Destaco aqui algumas das mensagens ali depositadas. &#8220;Estou saindo daqui muito emocionada em ver minha hist&#243;ria em imagens restauradas&#8221; (moradora do Vidigal e crian&#231;a na &#233;poca da tentativa de remo&#231;&#227;o). &#8220;Nossa, como o registro das imagens ajuda a transformar a narrativa de um local, principalmente empoderando os moradores!&#8221; (morador da baixada fluminense e neto de um dos ex-presidentes da Associa&#231;&#227;o dos Moradores da Vila do Vidigal). &#8220;Foi muito bom poder reviver tanta coisa que participei e que j&#225; n&#227;o me recordava...&#8221; (morador do Vidigal). &#8220;Uma hist&#243;ria que marcou a vida de muitas pessoas&#8221; (professor). &#8220;O evento foi renovado e legal e nem todos t&#234;m sorte como n&#243;s&#8221; (estudante da Escola de Cinema do Djalma).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No tocante &#224;s crian&#231;as e aos jovens do projeto de cinema, perceb&#237;amos, a todo momento, o interesse e a escuta atenta para as narrativas dos mais velhos, al&#233;m de estarem envolvidos em filmar e fotografar todo o evento. Presenci&#225;vamos um potente encontro geracional permeado pelas imagens de arquivo na tela do cinema (documentos do passado) e os testemunhos vivos dos que lutaram pela perman&#234;ncia da favela do Vidigal nos idos dos anos 1970. Assim, &#237;amos construindo, no presente, uma mem&#243;ria hist&#243;rica pessoal e coletiva, pois o fato de apresentarmos o material restaurado aos personagens da hist&#243;ria j&#225; era em si uma montagem viva, a que os jovens do projeto de cinema presenciavam.&lt;/p&gt;
&lt;div class='spip_document_1312 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_center spip_document_center'&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://journal.eticaycine.org/IMG/jpg/vidigal_4.jpg?1754362464' width='500' height='281' alt='' /&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Figura 04: jovens da Escola de Cinema do Djalma no evento &lt;i&gt;Vidigal: imagens, mem&#243;ria e resist&#234;ncia&lt;/i&gt;. Cinemateca do MAM-Rio. 13 de agosto de 2018. Fotografia deles.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na escola, no dia seguinte ao evento, os estudantes nos contavam: &#8220;n&#227;o dormi a noite toda s&#243; pensando no MAM!&#8221; (Ra&#237;, 12 anos). &#8220;Eu sonhei com aquelas imagens antigas, s&#243; que no meu sonho eu estava dentro das imagens!&#8221; (Maria Clara, 10 anos). &#8220;Tia, contei tudo pra minha m&#227;e! Quando vamos voltar ao MAM?&#8221; (Alice, 8 anos). &#8220;Minha rua &#233; a rua Dr. Bento Rubi&#227;o, agora sei quem &#233;.&#8221; (Brenda, 11 anos). &#8220;Tia tem na internet? Quero mostrar pra minha fam&#237;lia!&#8221; (Pedro Henrick, 10 anos). Muitos destes nossos estudantes nunca tinham ido a um cinema ou a um museu. O que ser&#225; que significava para eles terem visto essa hist&#243;ria de luta e resist&#234;ncia dos favelados na tela do cinema? Na tela do cinema de um museu?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Interessante &#233; que, a partir do projeto de cinema com a hist&#243;ria da favela e a elabora&#231;&#227;o de uma mem&#243;ria coletiva, os estudantes, principalmente os do quarto e quinto anos, trouxeram uma nova postura em seus h&#225;bitos e atitudes nas nossas aulas de Educa&#231;&#227;o F&#237;sica. Seus corpos n&#227;o pediam mais apenas atividades f&#237;sicas, mas, ao contr&#225;rio, eles se colocavam, questionavam, contavam hist&#243;rias, ang&#250;stias e anseios. Traziam seus sonhos, mobilizavam novas formas de express&#227;o e, sobretudo, revelavam segredos. Sim &#8220;segredos&#8221; que a dire&#231;&#227;o da escola n&#227;o podia ouvir, nem a professora de sala de aula, nem mesmo alguns dos colegas... assim eles me diziam... A partir do encontro com as imagens de arquivo da resist&#234;ncia do Vidigal em 1977/78, meu pr&#243;prio corpo parecia ter encontrado outro lugar, tanto na escola quanto na favela. A escuta se ampliava, os afetos se multiplicavam, as rela&#231;&#245;es se empoderavam. &#8220;Marta, ser&#225; que quando nossos filhos estiverem aqui voc&#234; vai ser professora deles?&#8221; (Brenda, 12 anos).&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;A gente teve a oportunidade de estar no MAM, ver pessoas da luta pelo Vidigal que a gente n&#227;o conhecia at&#233; hoje e que ainda est&#227;o vivas. Ver como eram as casas de madeira, como eles constru&#237;ram a Sede da Associa&#231;&#227;o e tudo aquilo... foi bem experiente ver aquelas pessoas chorando. A gente tava no balc&#227;o, eles na plateia e enquanto voc&#234; tava falando da remo&#231;&#227;o eles tavam chorando... A gente teve essa oportunidade de conhecer todos eles que a maioria das pessoas n&#227;o tem. Se n&#227;o fossem eles, a gente n&#227;o taria aqui agora. Foi bem emocionante ver eles todos l&#225;, tem um deles que mora perto da minha casa e eu num sabia. Vou falar pra minha m&#227;e (Ra&#237;, 12 anos).&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;No dia seguinte a esse evento no MAM, uma opera&#231;&#227;o policial na favela do Vidigal provocou intenso tiroteio. Como &#233; comum em dias desse tipo, tivemos que colocar todos os estudantes na sala de reuni&#245;es, local mais protegido da escola. Nossa alegria do dia anterior mal podia ser comemorada. Enfrent&#225;vamos, uma vez mais, a viol&#234;ncia e o medo. Ainda assim, n&#227;o desistimos de conversar sobre o acontecimento da v&#233;spera na Cinemateca do MAM-Rio. Os estudantes que l&#225; estiveram no dia anterior contavam aos outros a experi&#234;ncia vivida. Mesmo com a ansiedade e o medo causados pela trucul&#234;ncia habitual das opera&#231;&#245;es policias no morro, com a agita&#231;&#227;o peculiar desses momentos tristes, nos ouv&#237;amos. Deix&#225;vamos o som das balas e procur&#225;vamos nos concentrar nas narrativas. A empolga&#231;&#227;o daquele dia especial contaminava as falas dos meninos/as e prendia a aten&#231;&#227;o de todos n&#243;s. Est&#225;vamos novamente emocionados como estiv&#233;ramos no dia anterior na Cinemateca. De acordo com Benjamin (1987), experi&#234;ncia &#233; aquilo que nos afeta ao ponto de transformarmo-nos. Est&#225;vamos sendo afetados! A experi&#234;ncia vivida pelos estudantes com os arquivos na tela grande de um cinema e com os testemunhos dos personagens daquela hist&#243;ria proporcionava uma narrativa rica! Na escola, ao som dos tiros, Ra&#237; (12 anos) nos disse: &#8220;n&#227;o podemos desistir de nossos sonhos&#8221;. Vigotski (2004) enfatiza que a emo&#231;&#227;o n&#227;o &#233; menor que o pensamento e que deve orientar as a&#231;&#245;es educativas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao pensar que n&#227;o h&#225; luta pelo futuro sem mem&#243;ria do passado, que o conhecimento de luta e resist&#234;ncia de um grupo de pessoas da favela &#8211; uma hist&#243;ria n&#227;o oficial &#8211; pode ser elaborado na escola, que a emo&#231;&#227;o faz parte do processo educativo e que habitar os espa&#231;os educativos com arte implica na consci&#234;ncia da responsabilidade em transformarmos n&#243;s mesmos e o mundo com os outros &#233; que decidimos realizar um novo document&#225;rio, intitulado &lt;i&gt;Morro do Vidigal&lt;/i&gt;, em uma perspectiva historiogr&#225;fica, onde o passado possa adquirir um car&#225;ter de atualidade. Benjamin (2009), ao enfatizar que o tempo do agora n&#227;o poderia ser apreendido pelo m&#233;todo dial&#233;tico no &#226;mbito da ideologia do progresso, preconiza que:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;deveria se falar de uma crescente condensa&#231;&#227;o (integra&#231;&#227;o) da realidade, na qual tudo o que &#233; passado (em seu tempo) pode adquirir um grau mais alto de atualidade do que no pr&#243;prio momento de sua exist&#234;ncia. O passado adquire o car&#225;ter de uma atualidade superior gra&#231;as &#224; imagem como a qual e atrav&#233;s da qual &#233; compreendido. Esta perscruta&#231;&#227;o dial&#233;tica e a presentifica&#231;&#227;o das circunst&#226;ncias do passado s&#227;o a prova da verdade da a&#231;&#227;o presente. Ou seja: ela acende o pavio do material explosivo que se situa no ocorrido (cuja figura aut&#234;ntica &#233; a moda). Abordar desta maneira o ocorrido significa estud&#225;-lo n&#227;o como se fez at&#233; agora, de maneira hist&#243;rica, mas de maneira pol&#237;tica, com categorias pol&#237;ticas (Benjamin, 2009, p. 436-437).&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Foi assim que compreendemos que n&#227;o bastava restaurar as imagens. Coloc&#225;-las diante dos testemunhos j&#225; era uma esp&#233;cie de montagem viva da hist&#243;ria, mas era necess&#225;rio realizar um filme, pois o cinema &#233; um ato de mem&#243;ria. Os estudantes da escola j&#225; estavam colecionando saberes sobre sua pr&#243;pria hist&#243;ria, saberes para al&#233;m das hist&#243;rias contadas nos livros escolares, que em sua maioria s&#227;o transmitidas de forma euroc&#234;ntrica e sob a ideologia do progresso. Mas nos pergunt&#225;vamos se a experi&#234;ncia de se elaborar uma mem&#243;ria coletiva de luta e resist&#234;ncia da favela do Vidigal por meio de um filme document&#225;rio (realizado na confronta&#231;&#227;o dos arquivos com as testemunhas dos personagens da hist&#243;ria), um filme feito com o Vidigal e n&#227;o sobre o Vidigal, teria potencial emancipat&#243;rio para estudantes e professores da escola.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O filme de arquivos - &lt;i&gt;Vidigal: Exerc&#237;cios de pensamento&lt;/i&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;O dom de despertar no passado as centelhas da esperan&#231;a &#233; privil&#233;gio exclusivo do historiador convencido de que tamb&#233;m os mortos n&#227;o estar&#227;o em seguran&#231;a se o inimigo vencer. E esse inimigo n&#227;o tem cessado de vencer.&lt;br class='autobr' /&gt;
(Benjamin, 1987, p. 224-225)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;No ano letivo de 2019, com a inten&#231;&#227;o de come&#231;armos a produzir o document&#225;rio &lt;i&gt;Morro do Vidigal&lt;/i&gt;, debru&#231;amo-nos mais atentamente sobre o material de arquivo recuperado. Passamos a exibir as imagens de outrora em nossas sess&#245;es cineclubistas mensais para todas as turmas do turno da manh&#227; da escola, desde a educa&#231;&#227;o infantil at&#233; o quinto ano do ensino fundamental. Tivemos grande surpresa com os coment&#225;rios dos estudantes! Crian&#231;as de 4 a 5 anos de idade reconheciam nas imagens da favela do Vidigal de 40 anos atr&#225;s os locais atuais, como um restaurante novo pegado ao muro da Escola Almirante Tamandar&#233;. Inexistente nas imagens de antigamente, o restaurante &#233; o local onde os pais da crian&#231;a trabalham. O menino da educa&#231;&#227;o infantil reconheceu o ambiente de trabalho de seus parentes ao identificar nas imagens antigas o muro da escola Tamandar&#233;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mesmo com as marcas do tempo impressas nas imagens esmaecidas, a aten&#231;&#227;o e o interesse das crian&#231;as eram totais. O tema colocado sobre a mesa/na tela &#8211; hist&#243;rias de combate dos moradores da favela &#8211;, apesar de fazer parte da realidade do local onde os estudantes vivem, ainda &#233; desconhecido tanto por boa deles (estudantes) quanto pelos profissionais que trabalham no territ&#243;rio.&lt;/p&gt;
&lt;div class='spip_document_1313 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_center spip_document_center'&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://journal.eticaycine.org/IMG/jpg/vidigal_5.jpg?1754362464' width='500' height='333' alt='' /&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Figura 5: crian&#231;as na porta da Escola Almirante Tamandar&#233; - 1978. Acervo Cinemateca do MAM-Rio &#8211; Lote da Associa&#231;&#227;o dos Moradores da Vila do Vidigal. Fotografia de Fel&#237;cia Krumholz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os jovens do quinto ano observavam as imagens da favela de antigamente e reparavam que havia muita vegeta&#231;&#227;o; que hoje em dia os trajetos a p&#233; se fazem em becos apertados; n&#227;o h&#225; mais &#225;reas livres para soltarem pipas ou pularem corda como eles veem as crian&#231;as do passado fazerem. Ao aparecerem as imagens de Antares, para onde parte da favela do Vidigal seria removida, os estudantes, assustados, comentaram: &#8220;caramba tia, a gente ia morar a&#237; &#233;?&#8221;. &#8220;Parece uma pris&#227;o!&#8221; (Cristiano, turma 1501).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A experi&#234;ncia com os arquivos (imagens da favela de antigamente), colocadas sobre a mesa/na tela em nossos cineclubes escolares, sinalizou uma vontade atenta dos estudantes para com o assunto. Prosseguimos com as exibi&#231;&#245;es das imagens super-8 e com elas surgem novas perguntas, d&#250;vidas, inquieta&#231;&#245;es e relatos dos estudantes tais como: &#8220;u&#233; por que essa confus&#227;o, por que queriam nos tirar daqui?&#8221; (Jackson/1501). Helo&#237;sa respondeu: &#8220;num viu que a tia disse que queriam fazer condom&#237;nio de bacana, com nome de Niemeyer...&#8221;. Cristian retrucou: &#8220;a gente &#233; pobre n&#233;...&#8221;. Pedro Ot&#225;vio comunicou: &#8220;minha v&#243; j&#225; tava aqui nesse tempo, ela quer ver essas imagens a&#237; tia!&#8221;. Ana Vict&#243;ria perguntou: &#8220;ih, n&#227;o tinha &#225;gua n&#227;o? N&#227;o tinha luz, tia?&#8221;. Um estudante exclamou: &#8220;caraca, que confus&#227;o... que monte de gente &#233; essa?&#8221;. O que eles est&#227;o se jogando? Ih ah l&#225;...&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Partindo dessas proje&#231;&#245;es das imagens do Vidigal de antigamente na escola, decidimos realizar um primeiro exerc&#237;cio de montagem com os arquivos recuperados, uma esp&#233;cie de compila&#231;&#227;o do extenso material que t&#237;nhamos em m&#227;os. Assim, pusemo-nos a transcrever a fita cassete com a entrevista de Carlinhos Pernambuco&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb15&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Fita cassete que constava do material de arquivo de Fel&#237;cia Krumholz (&#8230;)&#034; id=&#034;nh15&#034;&gt;15&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, morador/ativista, ex-presidente da Associa&#231;&#227;o de Moradores e j&#225; falecido. A partir da transcri&#231;&#227;o do &#225;udio, a ideia da montagem come&#231;ou a nos habitar. Sentimos a urg&#234;ncia de come&#231;ar montando essas imagens de arquivo a partir das falas de Carlinhos Pernambuco. Foi a partir das palavras dele (Pernambuco) e das quest&#245;es das crian&#231;as que escolhemos as primeiras imagens da montagem. T&#237;nhamos algumas certezas: trabalhar somente com arquivos, inserir a voz (de arquivo tamb&#233;m) de um estudante, utilizar repetidamente na montagem a imagem de Antares (aquela que suscitou a fala dos estudantes relacionando-a a se parecer com uma pris&#227;o). Essa imagem aparece tr&#234;s vezes na montagem &#8211; a primeira sem som algum. &#8220;As t&#225;ticas de velocidade, de ru&#237;do, opor t&#225;ticas de lentid&#227;o, de sil&#234;ncio&#8221; (Bresson, 2008, p. 53). A segunda, com uma fala de Carlinhos Pernambuco referente &#224; remo&#231;&#227;o de pobres para lugares prec&#225;rios e distantes de seus locais de trabalho. E a terceira, com um &#225;udio de Ninho Willian de Paula cantando um batuque africano. Todas as imagens e &#225;udios utilizados s&#227;o provenientes de arquivos. Didi-Huberman (2018), postula que a pontua&#231;&#227;o se constitui tamb&#233;m como um trabalho de visibilidade, &#8220;notadamente no recurso sistem&#225;tico aos planos fixos, &#224;s repeti&#231;&#245;es de uma mesma cena e &#224;s esp&#233;cies de closes que resultam disso. Aquilo que vemos, n&#243;s revemos uma segunda vez com um pouco mais de precis&#227;o e com o sentimento de que nossos olhos se abriram&#8221; (p. 125). Intuitivamente percebemos que precis&#225;vamos repetir essa imagem forte que os pr&#243;prios estudantes nomearam como uma pris&#227;o. &#8220;Quando voc&#234; n&#227;o sabe o que faz e o que voc&#234; faz &#233; o melhor, isso &#233; a inspira&#231;&#227;o&#8221; (Bresson, 2008, p. 66). &#8220;Caramba tia, a gente ia morar a&#237; &#233;? Parece uma pris&#227;o!&#8221; (Cristiano, turma 1501). Tamb&#233;m decidimos colocar o som dos frequentes tiros na/da favela do Vidigal. Colocamo-los totalmente no escuro, sem imagem. &#8220;O olho (em geral) superficial, o ouvido profundo e inventivo. O apito de uma locomotiva imprime em n&#243;s a vis&#227;o de toda uma esta&#231;&#227;o de trem&#8221; (Bresson, 2008, p. 66). Desta forma, come&#231;amos a fazer pequenos exerc&#237;cios de montagem e a projet&#225;-los nos cineclubes escolares para que fossem discutidos coletivamente. As exibi&#231;&#245;es contemplaram tanto os estudantes da Escola de Cinema do Djalma quanto os estudantes dos 3&#186;, 4&#186; e 5&#186; anos da manh&#227;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;N&#227;o sou/somos cineasta/as, mas apostando neste gesto de cria&#231;&#227;o cinematogr&#225;fica compartilhado entre professores e estudantes, atrevemo-nos na realiza&#231;&#227;o desses exerc&#237;cios de montagem, que intitulamos &lt;i&gt;Vidigal: exerc&#237;cios de pensamento&lt;/i&gt;. O tema nos &#233; pr&#243;ximo: dos estudantes, porque habitam o territ&#243;rio da favela e de mim, por op&#231;&#227;o de vida. Com todo esse processo do cinema na escola, com a elabora&#231;&#227;o de uma mem&#243;ria coletiva da favela, a arte retorna na minha trajet&#243;ria como puls&#227;o de vida. A arte na escola como pot&#234;ncia de combate em prol de uma educa&#231;&#227;o emancipat&#243;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com a apresenta&#231;&#227;o desses exerc&#237;cios de edi&#231;&#227;o/montagem para os estudantes, no fim de setembro de 2019, a vers&#227;o definitiva dessa primeira montagem com dura&#231;&#227;o total de oito minutos e trinta segundos, veio como um lampejo fulgurante. Come&#231;amos com o &#225;udio de uma estudante, extra&#237;do da anima&#231;&#227;o que realizamos na escola em 2017, em parceria com o Anima Mundi: &lt;i&gt;Vidigal: nos voos da conquista&lt;/i&gt; e com as fotografias da escola Almirante Tamandar&#233; (1978) de Fel&#237;cia Krumholz. A voz da estudante no &#225;udio utilizado narra o nascimento da Pol&#237;cia Militar do Rio de Janeiro com a vinda da Corte. Tamb&#233;m narra a origem do nome da favela, relacionado com o major Miguel Nunes Vidigal, truculento policial ca&#231;ador de pessoas em situa&#231;&#227;o de escravid&#227;o. Major esse que ganhou as terras ao p&#233; do Morro Dois Irm&#227;os dos monges beneditinos, por seus pr&#233;stimos &#224; elite da Corte. Logo a seguir, colocamos na montagem tiros, muitos tiros de um &#225;udio e v&#237;deo que recebi dos coletivos que frequento na favela do Vidigal. Tiros reais, tais quais os que vivenciamos com frequ&#234;ncia em nossa escola. Coloquei o som desses tiros sem imagem, totalmente no escuro. Busco a pot&#234;ncia da imagina&#231;&#227;o do espectador, a imagem poder&#225; surgir em seu pensamento de acordo com a sua subjetividade. &#8220;Quando um som pode substituir uma imagem, suprimir a imagem ou neutraliz&#225;-la. O ouvido vai mais em dire&#231;&#227;o ao interior, o olho em dire&#231;&#227;o ao exterior&#8221; (Bresson, 2008, p. 52). Quando da exibi&#231;&#227;o na escola, todas as crian&#231;as optaram pela perman&#234;ncia dos tiros. Nenhuma delas decidiu retir&#225;-los da montagem. Alice (turma 1301) disse: &#8220;gosto dos tiros, &#233; a favela hoje!&#8221;. Pedro Henrick (turma 1501) comentou: &#8220;esse tiroteio de s&#225;bado &#224; noite foi perto da minha casa. Tive que me esconder no banheiro.&#8221; Maria Eduarda (turma 1501) completou: &#8220;&#233; horr&#237;vel, morro de medo!&#8221;. Raquel (turma 1501) exclamou: &#8220;o que eu n&#227;o quero &#233; morrer cedo!&#8221;. Algumas crian&#231;as disseram sentir medo, raiva, &#243;dio, tristeza. Outra crian&#231;a disse j&#225; ter se acostumado.... Depois dos tiros, a montagem prossegue com os &#225;udios de reportagens da &#233;poca da tentativa de remo&#231;&#227;o, com trechos dos &#225;udios da entrevista de Carlinhos Pernambuco selecionados por mim e com as imagens da &#233;poca.&lt;/p&gt;
&lt;div class='spip_document_1314 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_center spip_document_center'&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://journal.eticaycine.org/IMG/jpg/vidigal_6.jpg?1754362464' width='500' height='376' alt='' /&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Figura 6: estudante da turma 1301 assistindo e opinando sobre a montagem &lt;i&gt;Vidigal: exerc&#237;cios de pensamento&lt;/i&gt;. Agosto de 2019. Escola Djalma Maranh&#227;o. Fotografia dos estudantes do projeto de cinema da escola.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na primeira exibi&#231;&#227;o dessa montagem para o quinto ano, a partir das imagens na tela, o assunto da aula versou em torno das pessoas em situa&#231;&#227;o de escravid&#227;o. Foi desde os navios negreiros at&#233; o major Vidigal&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb16&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;O major Miguel Nunes, egresso da mil&#237;cia colonial onde ingressara em 1770, (&#8230;)&#034; id=&#034;nh16&#034;&gt;16&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; e seu chicote de tr&#234;s pontas. Avan&#231;ou pelos &#8220;tiros na cabecinha&#8221; de Wilson Witzel e o gesto das armas em punho t&#227;o em voga/moda na pol&#237;tica brasileira de hoje em dia&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb17&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;No momento da escrita desse artigo ocupa o cargo de Presidente da Rep&#250;blica (&#8230;)&#034; id=&#034;nh17&#034;&gt;17&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, Ao t&#233;rmino da aula, aplausos, muitos aplausos! O que teria provocado essa rea&#231;&#227;o t&#227;o inesperada, sobretudo em adolescentes muitas vezes t&#227;o esquivos/arredios aos conte&#250;dos escolares? Ter&#225; sido a emo&#231;&#227;o com as imagens? A aproxima&#231;&#227;o na tela grande de &#8220;coisas&#8221; que nunca antes haviam sido aproximadas?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O princ&#237;pio da montagem, na escrita da hist&#243;ria de Walter Benjamin (2009), prop&#245;e a quebra linear da teoria da hist&#243;ria sob a perspectiva da ideologia do progresso. Ele nos convida a uma teoria da hist&#243;ria como mem&#243;ria onde, na sobreposi&#231;&#227;o de diferentes temporalidades, possamos ver na apar&#234;ncia do novo, o velho que se repete. &#8220;Existe &#8216;um saber ainda n&#227;o consciente' do ocorrido, cujo fomento possui a estrutura do despertar&#8221; (Benjamin, 2009, p. 962). Para o fil&#243;sofo, interessava os contrastes dial&#233;ticos que se confundiam com as nuances, pois &#8220;a partir deles, no entanto, recria-se sempre a vida de novo&#8221; (Benjamin, 2009, p. 501). A imagem dial&#233;tica &#233; aquela que lampeja no agora da cognoscibilidade e que possibilitaria a mudan&#231;a no continuum catastr&#243;fico da humanidade. &#8220;A maneira como o passado se adapta &#224; sua pr&#243;pria atualidade superior &#233; determinada e criada pela imagem pela qual e sob a qual &#233; compreendido &#8211; tratar o passado, ou melhor: tratar o ocorrido, n&#227;o como se fez at&#233; agora, segundo o m&#233;todo hist&#243;rico, mas segundo o m&#233;todo pol&#237;tico&#8221; (Benjamin, 2009, p. 939). Assim, o passado pode adquirir um grau mais alto de atualidade do que no pr&#243;prio momento de sua exist&#234;ncia. Walter Benjamin, no grande arquivo das &lt;i&gt;Passagens&lt;/i&gt; (2009), vai tecendo suas teorias a partir de sua cole&#231;&#227;o de cita&#231;&#245;es no que ele v&#234; de semelhan&#231;a entre elas. De acordo com Sarlo (2015), &#8220;semelhan&#231;a para Benjamin, n&#227;o &#233; identidade, porque, se o fosse, perderia o car&#225;ter perturbador do parecido para instalar-se no momento reconciliado do igual. Encontrar semelhan&#231;as &#233; construir uma imagem cr&#237;tica&#8221; (p. 61-62).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;J&#225; Masschelein e Simons (2013) prop&#245;em uma pr&#225;tica pedag&#243;gica que d&#225; a ver &#224; experi&#234;ncia escolar sem a tutela da fam&#237;lia, ou a chancela do Estado, sem funcionalidade pr&#233;-estabelecida. A proposta deles &#233; estritamente pedag&#243;gica, no sentido do fazer escolar n&#227;o requerido pela sociologia, filosofia, psicologia, mas sim desenvolvido entre professores e estudantes em uma l&#237;ngua da escola, que permite ao jovem superar as gera&#231;&#245;es passadas. Uma suspens&#227;o de tempo e espa&#231;o que possa colocar em aten&#231;&#227;o coisas do mundo para o trabalho em comum. Uma horizontalidade entre professores e estudantes que procedam &#224; a&#231;&#227;o de profana&#231;&#227;o do saber pela emancipa&#231;&#227;o dos limites epist&#234;micos e afetivos de cada um. Segundo os autores, para que haja uma profana&#231;&#227;o do saber se faz necess&#225;ria uma rela&#231;&#227;o de horizontalidade entre mestre e aprendiz. &#201; preciso igualdade no acesso e na problematiza&#231;&#227;o do que &#233; colocado em rela&#231;&#227;o, seja texto, filme, pe&#231;a teatral, mapa, objeto mec&#226;nico, etc., como enfatiza Dussel (2017):&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;a escola como espa&#231;o de iguais deveria convidar todos a se aproximar de novo, como nova experi&#234;ncia, desses objetos que habilitam um encontro distinto com o mundo, e que permitem a cada um apropriar-se dele, encontrar um lugar nele, acessar suas linguagens como modos de representa&#231;&#227;o das experi&#234;ncias humanas&#8221; (p. 103).&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Assim, entusiasmada, prosseguimos nas exibi&#231;&#245;es dessa primeira montagem dos arquivos: &lt;i&gt;Vidigal: exerc&#237;cios de pensamento&lt;/i&gt; (2019). Agora eram os estudantes da Escola de Cinema do Djalma que iriam discuti-la. Esther (11 anos) disse: &#8220;acho que deve passar esse filme l&#225; no cal&#231;ad&#227;o pra esses brancos racistas verem o que a gente passa aqui na favela com os &#8216;tiros na cabecinha' e quem sofre &#233; nossa fam&#237;lia passando necessidade...&#8221;. Sarah (12 anos) comentou: &#8220;Marta, eu acho que quando o cara diz que n&#227;o &#233; uma garrafa pra ser jogado fora, voc&#234; devia botar a imagem do caminh&#227;o de lixo removendo as fam&#237;lias, porque &#233; isso que ele t&#225; dizendo n&#233;?&#8221;. Imediatamente incorporei a sugest&#227;o de Sarah, a imagem do caminh&#227;o de lixo entrou junto com a fala do sapateiro Waldemar em entrevista para o Jornal do Brasil de 1978. &#8220;Uma coisa velha se torna nova se voc&#234; a destaca do que a cerca habitualmente&#8221; (BRESSON, 2008, p. 49). Os jovens prestavam muita aten&#231;&#227;o e manifestavam suas opini&#245;es participando ativamente do processo de montagem de nosso filme de arquivos. Sobre as tecnologias da educa&#231;&#227;o escolar, Masschelein e Simons (2013) afirmam que deveriam ser t&#233;cnicas que buscassem, por um lado, engajar os jovens e por outro, apresentar-lhes o mundo, ou seja, fazer-lhes focar a aten&#231;&#227;o em alguma coisa. Uma t&#233;cnica de se tornar poss&#237;vel o tempo livre (livre de funcionalidade a servi&#231;o do Estado/Mercado/Religi&#227;o/ Fam&#237;lia), uma t&#233;cnica que teria por inten&#231;&#227;o permitir o pr&#243;prio &#8220;ser capaz&#8221;, ou seja, a experi&#234;ncia do sou capaz de fazer isso. &#8220;Uma teoria de t&#233;cnicas com o potencial &#250;nico de induzir a aten&#231;&#227;o e o interesse e apresentar ou abrir o mundo&#8221; (Masschelein &amp; Simons, 2013, p. 66).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Destarte, no final de 2019 demos in&#237;cio as grava&#231;&#245;es de Morro do Vidigal, nosso novo document&#225;rio. A metodologia das filmagens se deu pelo confronto das imagens com as testemunhas da hist&#243;ria de luta da favela do Vidigal. Atualmente o novo filme encontra-se em fase de montagem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Considera&#231;&#245;es&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;Nada de valor absoluto de uma imagem. Imagens e sons s&#243; ter&#227;o valor e for&#231;a na utiliza&#231;&#227;o &#224; qual voc&#234; os destina.&lt;br class='autobr' /&gt;
(Bresson, 2008, p. 30)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Com aten&#231;&#227;o ampliada e &#8220;amor ao assunto&#8221;, percorremos caminhos, desde a aposta na investiga&#231;&#227;o da hist&#243;ria da favela com o cinema na escola (2015), at&#233; as filmagens de &lt;i&gt;Morro do Vidigal&lt;/i&gt; (2019). A paix&#227;o pelo tema na tela/sobre a mesa, a aten&#231;&#227;o, o interesse e a disciplina dos envolvidos foi promovendo um encontro geracional mediado pelas imagens de arquivo descobertas e restauradas por n&#243;s. Compreendemos que um passado n&#227;o est&#225; dado previamente. N&#243;s estivemos/estamos elaborando, atualizando, tecendo coletivamente na escola uma mem&#243;ria de luta da favela do Vidigal. E toda essa elabora&#231;&#227;o n&#227;o est&#225; sendo tutelada pelo Estado, pelo Mercado, ou pela Religi&#227;o. A elabora&#231;&#227;o desta mem&#243;ria de combates e vit&#243;rias da favela do Vidigal com o projeto de cinema da escola vem se desenvolvendo por uma pr&#225;tica pedag&#243;gica que anseia por uma educa&#231;&#227;o emancipat&#243;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Existiu uma pot&#234;ncia de retomada dessas imagens de arquivo na constru&#231;&#227;o de novas camadas de sentidos. Sentido de pertencimento a um territ&#243;rio que s&#243; foi poss&#237;vel pela luta constante dos que ali habitavam/habitam. Como bem disse o estudante da Escola de Cinema do Djalma, Ra&#237;, por ocasi&#227;o do evento &lt;i&gt;Vidigal: imagens, mem&#243;ria e resist&#234;ncia&lt;/i&gt;, na Cinemateca do MAM-Rio em 2018, &#8220;s&#243; podemos morar no Vidigal hoje em dia porque esses &#8220;coroas&#8221; lutaram para que a favela n&#227;o fosse removida&#8221;. Essa luta pelo direito &#224; moradia &#233; constante, posto que ao longo dos anos as formas de remo&#231;&#227;o dos favelados das &#225;reas &#8220;nobres&#8221; da cidade v&#227;o se alterando, sendo justamente nesses momentos de amea&#231;a que os mais jovens recorrem &#224; mem&#243;ria para fundamentar sua perman&#234;ncia no territ&#243;rio. Consideramos, assim, a elabora&#231;&#227;o, na escola, de uma mem&#243;ria de luta e resist&#234;ncia da favela do Vidigal, como pot&#234;ncia de afirma&#231;&#227;o de identidades, como possibilidade emancipat&#243;ria pela compreens&#227;o do que se &#233;, e o que se pode fazer na ordem social. &#192; vista disso, julgamos que dar a ver as imagens de luta e resist&#234;ncia da favela do Vidigal (1977/78), pode alterar os modos de ver e sonhar o lugar onde nossos estudantes habitam. Ao vermos essas imagens, estivemos/estamos pensando o que v&#237;amos/vemos, e ao pensar como montar essas imagens tamb&#233;m estamos exercitando o que queremos dar a ver com elas, ou seja, ao trabalharmos a repeti&#231;&#227;o e a interrup&#231;&#227;o de uma imagem, buscamos a imagem como um meio em si, ou o cinema como um gesto (Agamben, 2014).&lt;/p&gt;
&lt;div class='spip_document_1315 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_center spip_document_center'&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://journal.eticaycine.org/IMG/jpg/vidigal_7.jpg?1754362464' width='500' height='375' alt='' /&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Figura 7: A Escola de Cinema do Djalma na Favela do Vidigal &#8211; 2019 &#8211; foto dos estudantes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A nossa imagina&#231;&#227;o tem origem no ac&#250;mulo de experi&#234;ncia, n&#227;o s&#243; individual, mas tamb&#233;m de outrem, da experi&#234;ncia social. A fantasia se apoia na mem&#243;ria e utiliza seu material em novas combina&#231;&#245;es para produzir algo real. A imagina&#231;&#227;o precisa da experi&#234;ncia e requer tamb&#233;m tempo, amadurecimento, como quase tudo na vida. &#201; com ela que podemos transformar as coisas do mundo. Transformar todas as coisas do mundo, tanto na ci&#234;ncia, na tecnologia, na arte, como em nossas pr&#243;prias vidas. A experi&#234;ncia, com a tessitura de uma mem&#243;ria de luta da favela do Vidigal na Escola Municipal Prefeito Djalma Maranh&#227;o constituiu material para novas elabora&#231;&#245;es do real por nossos estudantes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A aposta nessa investiga&#231;&#227;o da hist&#243;ria da favela com o cinema na escola foi mais longe do que imaginamos. Todo um campo de pesquisa aberto ao plano dos afetos foi se constituindo, uma aten&#231;&#227;o acess&#237;vel ao encontro, e assim as imagens de arquivo colidiram conosco. A partir dessa colis&#227;o, n&#227;o restou mais quaisquer d&#250;vidas de que dar a ver as imagens de luta e resist&#234;ncia de 1977/78 era fundamental para que os estudantes pudessem ter elementos que embasassem sonhos de transforma&#231;&#227;o da realidade social em que vivem. Nesse sentido, podemos destacar o testemunho da estudante Heloisa, dizendo que morava na mesma rua do Sr. Armando, que o via todos os dias, mas que n&#227;o sabia que ele tinha sido um dos respons&#225;veis pela favela do Vidigal ainda existir e ela morar ali. Nosso trabalho deu subs&#237;dios para que os estudantes conhecessem a hist&#243;ria de um grupo de pessoas que se uniu e evitou mais uma di&#225;spora em suas vidas. Um grupo de pessoas da favela que acreditou na luta e venceu. Portanto, elaborar essa mem&#243;ria de uma luta vitoriosa da favela do Vidigal, na Escola de Cinema do Djalma, &#233; pot&#234;ncia de transforma&#231;&#227;o de uma realidade social pela identifica&#231;&#227;o poss&#237;vel dos estudantes com uma gera&#231;&#227;o que os precedeu. Uma gera&#231;&#227;o de luta. Uma gera&#231;&#227;o que sonhou, confiou e brigou por seus direitos, obtendo vit&#243;rias. Uma gera&#231;&#227;o que deve ser destacada e inclu&#237;da no curr&#237;culo das escolas da classe trabalhadora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Refer&#234;ncias&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agabem, G. (2008). &lt;i&gt;Notas sobre o gesto&lt;/i&gt;. In Artefilosofia, Ouro Preto, n. 4, pp. 9-14.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Benjamin, W. (1987). &lt;i&gt;O Narrador&lt;/i&gt;. In Magia e T&#233;cnica, Arte e Pol&#237;tica- ensaios sobre literatura e hist&#243;ria da cultura. Obras Escolhidas, vol. 1.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Benjamin, W. (2009). &lt;i&gt;Passagens&lt;/i&gt;. Belo Horizonte: editora da Universidade Federal de Minas Gerais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Bosi, M. M. (2016). &lt;i&gt;Filmes de fam&#237;lia e constru&#231;&#227;o de lugares de mem&#243;ria: Estudo de um material de Super-8 rodado em Fortaleza e de sua retomada em Supermem&#243;rias&lt;/i&gt;. Disserta&#231;&#227;o (Mestrado em Comunica&#231;&#227;o e Cultura) - Centro de Filosofia e Ci&#234;ncias Humanas, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Bresson, R. (2008). &lt;i&gt;Notas sobre o Cinemat&#243;grafo&lt;/i&gt;. Trad. Evaldo Mocarzel. S&#227;o Paulo: Editora Iluminuras LTDA.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Blank, Th. C. (2015). &lt;i&gt;Da tomada &#224; retomada: origem e migra&#231;&#227;o do cinema dom&#233;stico brasileiro&lt;/i&gt;. Tese de Doutorado. Programa de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em Comunica&#231;&#227;o e Cultura &#8211; PPGCOM Tecnologias da Comunica&#231;&#227;o e Est&#233;tica. Universidade Federal do Rio de Janeiro &#8211; UFRJ.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Blank &amp; Machado, P. (2018). &lt;i&gt;Em busca de um m&#233;todo: entre a est&#233;tica e a hist&#243;ria de imagens dom&#233;sticas do per&#237;odo da ditadura militar brasileira&lt;/i&gt;. 27&#186; Encontro Anual COMP&#211;S 5-8 junho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Didi-Huberman, G. (2017). &lt;i&gt;Quando as imagens tomam posi&#231;&#227;o: O olho da hist&#243;ria I&lt;/i&gt;. Belo Horizonte: Editora UFMG.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dussel, I. (2017). &lt;i&gt;Sobre a precariedade da escola&lt;/i&gt;. In. Org. Larrosa, J. Elogio da escola, Belo-Horizonte: Aut&#234;ntica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Farge. A. (2017). &lt;i&gt;O Sabor do Arquivo&lt;/i&gt;. S&#227;o Paulo: Edusp.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fresquet, A. (2013). &lt;i&gt;Cinema e Educa&#231;&#227;o- Reflex&#245;es e experi&#234;ncias com professores e estudantes de educa&#231;&#227;o b&#225;sica, dentro e &#8220;fora&#8221; da escola &#8211; Alteridade e Cria&#231;&#227;o 2&lt;/i&gt;. Aut&#234;ntica Editora LTDA, Belo Horizonte &#8211; MG.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gomes, L. (2007). &lt;i&gt;1808 Como uma rainha louca, um pr&#237;ncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napole&#227;o e mudaram a Hist&#243;ria de Portugal e do Brasil&lt;/i&gt;. S&#227;o Paulo: Editora Planeta do Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Leandro, A. (2018).&lt;i&gt;Testemunho filmado e montagem direta dos documentos&lt;/i&gt;. In. Dellamore, C.; Amato, G.; e Batista, N., orgs. A ditadura na tela. Quest&#245;es conceituais. Belo Horizonte: Faculdade de Filosofia e Ci&#234;ncias Humanas - UFMG, pp. 219-232.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Masschelein, J. &amp; Simons, M. (2013). &lt;i&gt;Em defesa da escola: uma quest&#227;o p&#250;blica&lt;/i&gt;. Belo Horizonte: Aut&#234;ntica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sarlo, B. (2015). &lt;i&gt;Sete ensaios sobre Walter Benjamin e um lampejo.&lt;/i&gt; Rio de Janeiro: Editora UFRJ&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vigotski, L. S. (2004). &lt;i&gt;Psicologia Pedag&#243;gica&lt;/i&gt;. S&#227;o Paulo: Martins Fontes.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;A Escola de Cinema do Djalma foi implementada em 2012 na Escola Municipal Prefeito Djalma Maranh&#227;o na favela do Vidigal, Rio de Janeiro, Brasil. Foi uma das quatro escolas p&#250;blicas selecionadas pelo Edital 134 Sele&#231;&#227;o de Escolas de Cinema CINEAD publicado no Di&#225;rio Oficial da Uni&#227;o &#8211; DOU de 21 de novembro de 2011- Se&#231;&#227;o 3, p&#225;ginas 91/92. Dispon&#237;vel: &lt;a href=&#034;https://www.jusbrasil.com.br/diarios/32418815/dou-secao-3-21-11-2011-pg-91&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;https://www.jusbrasil.com.br/diarios/32418815/dou-secao-3-21-11-2011-pg-91&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Dispon&#237;vel: &lt;a href=&#034;https://www.youtube.com/watch?v=MZy_zvtqT_Q&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;https://www.youtube.com/watch?v=MZy_zvtqT_Q&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;3&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;CINEDUC &#8211; Cinema e Educa&#231;&#227;o &#8211; foi criado em 1970 com a preocupa&#231;&#227;o de dar &#224;s crian&#231;as e jovens a possibilidade de conhecer os elementos da linguagem cinematogr&#225;fica. Dispon&#237;vel: &lt;a href=&#034;https://mostrajoaquimvenancio.wordpress.com/mesa-redonda-cinema-audiovisual-e-educacao/&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;https://mostrajoaquimvenancio.wordpress.com/mesa-redonda-cinema-audiovisual-e-educacao/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb4&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh4&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 4&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;4&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Lan&#231;ado pela Kodak em 1965, o super-8 &#233; uma evolu&#231;&#227;o da pel&#237;cula 8mm, com uma superf&#237;cie maior de imagem. Nos anos 1960 e 1970, fez muito sucesso entre cineastas amadores in: BOSI, Ma&#237;ra Magalh&#227;es. &lt;i&gt;Filmes de fam&#237;lia e constru&#231;&#227;o de lugares de mem&#243;ria: Estudo de um material de Super-8 rodado em Fortaleza e de sua retomada em Supermem&#243;rias&lt;/i&gt;. Disserta&#231;&#227;o (Mestrado em Comunica&#231;&#227;o e Cultura) &#8211; Centro de Filosofia e Ci&#234;ncias Humanas, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb5&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh5&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 5&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;5&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Diretor da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio) e uma das maiores autoridades em preserva&#231;&#227;o audiovisual no Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb6&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh6&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 6&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;6&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Dispon&#237;vel no site do CINEAD: &lt;a href=&#034;https://cinead.org/escolas-de-cinema/&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;https://cinead.org/escolas-de-cinema/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb7&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh7&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 7&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;7&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Telecinar &#233; o m&#233;todo convencional utilizado para converter filmes em pel&#237;cula para v&#237;deo. Basicamente &#233; fazer a filmagem de uma proje&#231;&#227;o. Em nosso caso, a filmagem da proje&#231;&#227;o dos filmes Super-8, realizada por M&#225;rcio Melges, da Telecine Fevereiro e acompanhada por Marta Guedes e Marta Chamarelli, em maio/junho de 2018.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb8&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh8&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 8&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;8&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Membro do CINEAD e volunt&#225;ria junto conosco na recupera&#231;&#227;o do material f&#237;lmico de Fel&#237;cia Krumholz na Cinemateca do MAM-Rio em 2018.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb9&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh9&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 9&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;9&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Batoques s&#227;o protetores que servem para fixar os carreteis dos filmes na moviola para limpar os filmes passando de um carretel ao outro.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb10&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh10&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 10&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;10&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;O &#225;lcool isoprop&#237;lico &#233; indicado na limpeza dos filmes, pois a percentagem de &#225;gua &#233; menor que 1%, evitando a oxida&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb11&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh11&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 11&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;11&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Moviola era uma marca de equipamento de montagem cinematogr&#225;fica que, em muitos pa&#237;ses, tornou-se sin&#244;nimo de mesa de montagem.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb12&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh12&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 12&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;12&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Cilindro de enrolar filmes.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb13&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh13&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 13&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;13&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Entendemos &#8220;O sabor do arquivo&#8221; como o gosto pelos arquivos. T&#237;tulo da obra original em franc&#234;s &#8220;&lt;i&gt;Le go&#251;t de l'archive&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb14&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh14&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 14&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;14&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Destacamento de Opera&#231;&#245;es de Informa&#231;&#227;o &#8211; Centro de Opera&#231;&#245;es de Defesa Interna. DOI-CODI foi um &#243;rg&#227;o subordinado ao Ex&#233;rcito brasileiro. Um &#243;rg&#227;o de intelig&#234;ncia e repress&#227;o do governo durante a ditadura empresarial-militar brasileira, ap&#243;s o golpe de 1964.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb15&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh15&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 15&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;15&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Fita cassete que constava do material de arquivo de Fel&#237;cia Krumholz recuperado pela Escola de Cinema do Djalma e hoje pertencente ao acervo da Cinemateca do MAM-Rio, sob o Lote da Associa&#231;&#227;o dos Moradores da Vila do Vidigal.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb16&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh16&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 16&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;16&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;O major Miguel Nunes, egresso da mil&#237;cia colonial onde ingressara em 1770, tinha em 1809 a patente de major, servindo primeiro como ajudante e depois como segundo-comandante na nova for&#231;a policial da Corte do Rio de Janeiro. Conhecido como truculento e implac&#225;vel, o major Vidigal comandava pessoalmente assaltos aos quilombos ou acampamentos de pessoas negras em situa&#231;&#227;o de escravid&#227;o fugitivas nas encostas arborizadas dos morros que cercam a cidade do Rio de Janeiro. Em 1820 o major Vidigal recebe dos monges beneditinos terras ao p&#233; do morro Dois Irm&#227;os. Este terreno teve suas primeiras ocupa&#231;&#245;es a partir de 1940 e atualmente &#233; a favela do Vidigal (GOMES, 2007).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb17&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh17&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 17&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;17&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;No momento da escrita desse artigo ocupa o cargo de Presidente da Rep&#250;blica do Brasil o ex-capit&#227;o do ex&#233;rcito, Jair Messias Bolsonaro, autor da c&#233;lere e indigna frase &#8220;e da&#237;?&#8221;, usada frequentemente por ele para responder &#224;s mais diversas quest&#245;es do exerc&#237;cio de seu governo, tais como: o n&#250;mero de mortos advindos da pandemia do Covid-19, bem como seu gesto das armas em punho com a inten&#231;&#227;o de armar a popula&#231;&#227;o civil brasileira. O Governador do Estado do Rio de Janeiro em exerc&#237;cio &#233; Claudio Bonfim de Castro e Silva, formado em Direito com carreira na can&#231;&#227;o gospel e indicado pelo vice-governador Pastor Everaldo (peso na opera&#231;&#227;o Tris In Idem). Claudio Silva substituiu o Governador Wilson Witzel, afastado por investiga&#231;&#227;o de desvio de recursos na Sa&#250;de do Estado, em 28 de agosto de 2020. Witzel &#233; autor da express&#227;o &#8220;tiros na cabecinha&#8221; como justificativa para a pol&#237;tica de atua&#231;&#227;o da Pol&#237;cia Militar nas favelas cariocas.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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	</item>
<item xml:lang="es">
		<title>Cine en la Escuela de Vidigal</title>
		<link>https://journal.eticaycine.org/Cine-en-la-Escuela-de-Vidigal-609</link>
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		<dc:date>2021-08-23T15:01:06Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>es</dc:language>
		<dc:creator>Marta Guedes; Adriana Fresquet</dc:creator>



		<description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Resumen&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El art&#237;culo aborda una reflexi&#243;n impregnada de la filosof&#237;a de Walter Benjamin y Giorgio Agambem que surge de una pr&#225;ctica de la vida escolar cotidiana articulada con la comunidad, el cine, la filmoteca y la universidad. La Escuela de Cine de Djalma/CINEAD investig&#243;, con el gesto de creaci&#243;n cinematogr&#225;fica compartido entre la profesora y sus estudiantes, la historia de la favela de Vidigal, R&#237;o de Janeiro. A partir de esta apuesta, se constituye todo un campo de investigaci&#243;n, y con &#233;l el descubrimiento y la restauraci&#243;n, en cooperaci&#243;n con la Cinemateca do MAM-Rio, de im&#225;genes en Super-8, fotograf&#237;as y casetes sobre la lucha de los vecinos de la favelas de Vidigal contra su traslado al Conjunto Habitacional Antares / Santa Cruz en 1977/78. El art&#237;culo desarrolla parte de esta trayectoria de investigaci&#243;n con la elaboraci&#243;n de una memoria de la lucha de la favela en la escuela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Palabras Clave:&lt;/strong&gt; Cine | Escuela | Archivo | Favela do Vidigal | Filosof&#237;a y Memoria | Cinemateca del MAM-Rio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href='https://journal.eticaycine.org/Cine-en-la-Escuela-de-Vidigal' class=&#034;spip_in&#034;&gt;Versi&#243;n en portugu&#233;s&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href='https://journal.eticaycine.org/Cinema-in-the-Vidigal-School' class=&#034;spip_in&#034;&gt;Abstract English Version&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

-
&lt;a href="https://journal.eticaycine.org/-Volumen-11-Nro-2-" rel="directory"&gt;Volumen 11 | Nro 2 | Julio 2021&lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_chapo'&gt;&lt;p&gt;Universidade Federal do Rio de Janeiro&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Introducci&#243;n&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;Remitir el pasado al presente. Magia del presente.&lt;br class='autobr' /&gt;
(Bresson, 1979, p. 52)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;La Escuela de Cine do Djalma &#8210;CINEAD&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;La Escuela de Cine Djalma fue implementada en 2012 en la Escuela Municipal (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&#8210; apost&#243; por investigar la historia de la favela del Vidigal a partir del cine en la escuela. La favela de Vidigal ya ha sufrido diversas amenazas de remoci&#243;n. En 1977/1978 ocurri&#243; la mayor de ellas. Parte de la favela ser&#237;a removida para el Conjunto Habitacional de Antares/Santa Cruz. En la &#233;poca, un grupo de bravos guerreros, dirigentes de la Associa&#231;&#227;o dos Moradores da Vila do Vidigal, con el apoyo de la Pastoral de las Favelas, de artistas de la comunidad y simpatizantes de la causa, impidi&#243; que se removiera. Nuestra inserci&#243;n en esta historia comienza en 2011, cuando participamos junto con la escuela municipal Prefeito Djalma Maranh&#227;o (escuela primaria) de la convocatoria de creaci&#243;n de escuelas de cine en centros educativos p&#250;blicos, y as&#237; conseguimos llevar el proyecto de creaci&#243;n de escuelas de cine y cineclubes CINEAD para nuestra escuela de Vidigal. Desde el inicio de la convocatoria cre&#237;mos que deb&#237;amos investigar a trav&#233;s del cine la historia de la favela. Este proyecto creci&#243; del entendimiento, como bien dice Walter Benjamin (2009), de que no hay lucha posible por el futuro sin una memoria del pasado. Marta, como profesora de educaci&#243;n f&#237;sica por m&#225;s de veinte a&#241;os en dicha escuela, percibi&#243; que tanto los estudiantes como los docentes precisaban conocer una historia que la mayor&#237;a desconoc&#237;a. Sin embargo, fue solamente en 2015 que alcanzamos nuestro objetivo de hacer part&#237;cipe a la comunidad escolar como un todo y realizar nuestro documental &lt;i&gt;Para&#237;so Tropical Vidigal&lt;/i&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Disponible en: .&#034; id=&#034;nh2-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Conseguimos que el tema del proyecto pedag&#243;gico de aquel a&#241;o fuese la investigaci&#243;n de la historia de la favela. Los estudiantes de la escuela de cine quedaron como responsables de grabar las producciones de los diferentes cursos, y de subir la favela a pie entrevistando a los residentes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partir de la exhibici&#243;n de fragmentos de &lt;i&gt;Paraiso Tropical Vidigal&lt;/i&gt;, en 2016, en el marco del festejo por los diez a&#241;os del Grupo CINEAD&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Disponible en:&#034; id=&#034;nh2-3&#034;&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; en la Cinemateca del Museo de Arte Moderno (MAM-Rio), supimos que Felicia Krumholz, curadora de la &lt;i&gt;Mostra Gera&#231;&#227;o do Festival do Rio&lt;/i&gt; y miembro del CINEDUC&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;CINEDUC &#8211;Cinema e Educa&#231;&#227;o&#8211; fue creado en 1970 con la preocupaci&#243;n de (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-4&#034;&gt;4&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, hab&#237;a filmado en super-8&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Lanzado por Kodak en 1965, el super-8 es una evoluci&#243;n de la pel&#237;cula 8mm, (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-5&#034;&gt;5&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, en la d&#233;cada de 1970 la resist&#234;ncia de los habitantes de la favela de Vidigal a la remoci&#243;n para el suburbio de Santa cruz/Antares y manten&#237;a la copia de ese material en una caja t&#233;rmica, desde hac&#237;a cuarenta a&#241;os, sobre un armario de su casa. Felicia no sab&#237;a que los &#8220;chicos del tr&#225;fico&#8221; hab&#237;an incendiado los originales que ella hab&#237;a entregado a la &lt;i&gt;Associa&#231;&#227;o de Moradores da Vila do Vidigal&lt;/i&gt;. Nosotros la pusimos nuevamente en contacto con los antiguos residentes/activistas y, en agosto de 2017, la Escuela de Cine do Djalma produjo el evento &lt;i&gt;40 anos de Resist&#234;ncia do Vidigal&lt;/i&gt;, en el colegio Djalma Maranh&#227;o, cuando tuvimos la oportunidad de reunir a los principales personajes de la lucha y resistencia del pasado con los del presente. En este evento Felicia anunci&#243; su caja con el material de archivo y decidi&#243; don&#225;rnoslo para restaurarlo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En diciembre de 2017, en un acto simple pero c&#233;lebre, invitamos a algunos vecinos de la favela de Vidigal y a los estudiantes de la Escuela de Cine do Djalma para abrir la caja que pertenec&#237;a a Felicia en la Cinemateca del Museo de Arte Moderno de R&#237;o de Janeiro. La colaboraci&#243;n, mediante un convenio, entre la Facultad de Educaci&#243;n de la UFRJ y el MAM-Rio en 2008 nos facilitaba el encuentro con los archivos. Bajo la tutela de Hernani Heffner&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-6&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Director de la Cinemateca del Museo de Arte Moderno de Rio de Janeiro (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-6&#034;&gt;6&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, comenzamos el proceso de recuperaci&#243;n del material. El archivo personal de Felicia inclu&#237;a, adem&#225;s de los filmes super-8, negativos de fotograf&#237;as y cintas de casete con entrevistas realizadas en la &#233;poca. Ese material fue donado definitivamente y ahora forma parte del Archivo de la Cinemateca, en el Lote de la &lt;i&gt;Associa&#231;&#227;o de Moradores da Vila do Vidigal&lt;/i&gt;, y est&#225; preservado en cuatro soportes diferentes: super-8, Mini DV, HD, y guardado tambi&#233;n en DVD.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En agosto de 2018, con todo ese material de archivo ya restaurado, promovimos el evento &lt;i&gt;Vidigal: im&#225;genes, memoria y resistencia&lt;/i&gt; en esta Cinemateca, que se transformaba para nosotros en un lugar m&#225;gico, dada la naturaleza de los encuentros que all&#237; viv&#237;amos. El evento cont&#243; con la presencia de los antiguos residentes/activistas, de los estudiantes de la Escuela de Cinema de Djalma y del grupo CINEAD/LECAV. Los comentarios de los vecinos durante la proyecci&#243;n revelan emoci&#243;n. En todo momento escuch&#225;bamos llantos, risas, preguntas de reconocimiento y testimonios provocados por las im&#225;genes. &#191;Ser&#237;a, por lo tanto, como nos dice Didi-Huberman (2011), &#8220;la imagen el destello pasajero que traspone, como un cometa, la inmovilidad de todo el horizonte&#8221;?&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-7&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#233;s: &#8220;a imagem o lampejo (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-7&#034;&gt;7&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; (p. 117). All&#237;, en aquel 13 de agosto de 2018, pens&#225;bamos que la tarea estaba concluida. Sin embargo, al d&#237;a siguiente, al llegar a la escuela, algunos chicos y j&#243;venes del proyecto de cine contaban que no hab&#237;an dormido recordando la Cinemateca del MAM-Rio y la proyecci&#243;n.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esa misma ma&#241;ana, el tiroteo en la favela fue intenso y tuvimos que resguardarnos en la sala m&#225;s protegida del colegio. A pesar del tumulto, aprovechamos la reuni&#243;n e incluso bajo el ruido de las balas, ped&#237; a los estudiantes que hab&#237;an vivido la experiencia del d&#237;a anterior en el MAM, que la narrasen a los otros chicos de la escuela. Fue muy provocador ver a los m&#225;s grandes contar las historias del d&#237;a anterior a los m&#225;s chicos. Exactamente ah&#237;, bajo el fuego cruzado de las balas, alcanc&#233; a vislumbrar el tama&#241;o de la tarea que estaba, al contrario de lo que yo imaginaba, apenas por comenzar. Era urgente realizar un nuevo documental. Comprend&#237; que los archivos y los testimonios ten&#237;an que hacerse presentes en una nueva filmaci&#243;n. Precis&#225;bamos elaborar una memoria colectiva de lucha y resistencia, que atravesase tiempos y espacios y mantuviese viva la esperanza de redenci&#243;n a un pasado/presente de personas en situaci&#243;n de esclavitud. Al final, la articulaci&#243;n hist&#243;rica del pasado no significa reconocerlo como un hecho que ya sucedi&#243;, sino de apropiarse de un recuerdo resplandeciente en el momento de peligro. &#8220;Mirar telesc&#243;picamente el pasado a trav&#233;s del presente&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-8&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#233;s: &#8220;Uma telescopagem (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-8&#034;&gt;8&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; (Benjamin, 2009, p. 512).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En 2019, en paralelo a un taller con alumnos de la Escuela de Cine Djalma, iniciamos un proceso de montaje de los archivos f&#237;lmicos y sonoros restaurados. En dos semanas, fuimos haciendo peque&#241;os ejercicios de edici&#243;n y present&#225;ndolos a todos los estudiantes de 3&#186;, 4&#186; y 5&#186; de la escuela en las sesiones de nuestro club de cine. A partir sus comentarios, la idea de editar &lt;i&gt;Vidigal: Ejercicios de pensamiento&lt;/i&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-9&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Disponible en:&#034; id=&#034;nh2-9&#034;&gt;9&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; surgi&#243; en la tercera semana, como un deslumbrante destello, y fue presentada en la sesi&#243;n IN: Museos, cinematecas, en el XXIII Encuentro de la Sociedad Brasile&#241;a de Estudios Cinematogr&#225;ficos y Audiovisuales. (SOCINE) en Porto Alegre, 2019, causando mucha emoci&#243;n / repercusi&#243;n. &#8220;Conmover no con im&#225;genes conmovedoras, sino con relaciones entre im&#225;genes que las vuelvan a la vez v&#237;vidas y emocionantes&#8221; (Bresson, 1979, p. 84). Antes de presentarlo en SOCINE para su discusi&#243;n, se exhibi&#243; en la escuela y se incorporaron todas las sugerencias de los estudiantes. Fue realmente interesante notar la atenci&#243;n, emoci&#243;n y reconocimiento del grupo de cineastas, restauradores y estudiantes de cine por nuestro montaje &lt;i&gt;Vidigal: ejercicios de pensamiento&lt;/i&gt; y el trabajo de la Escuela de Cine do Djalma presentado. Al fin y al cabo, el contexto era el de una tesis en educaci&#243;n y realizada en el escenario de la educaci&#243;n b&#225;sica en la favela, pero como dice Fresquet (2013), &#8220;los posibles v&#237;nculos entre cine y educaci&#243;n se multiplican en cada momento, con cada nueva iniciativa el proyecto que los ponga en di&#225;logo. Fundamentalmente, es un gesto de creaci&#243;n que promueve nuevas relaciones entre cosas, personas, lugares y tiempos&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-10&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n original en portugu&#233;s: &#8220;os (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-10&#034;&gt;10&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; (p.19). As&#237;, a finales de 2019 grabamos un nuevo documental titulado Morro de Vidigal. El documental se encuentra en fase de montaje, nuestra metodolog&#237;a de filmaci&#243;n se bas&#243; en la confrontaci&#243;n de archivos de imagen y sonido con los testimonios de la historia (Leandro, 2018). En la filmaci&#243;n, son los archivos f&#237;lmicos y sonoros que entrevistan a los cinco expresidentes de la Asociaci&#243;n de Vecinos de Vila do Vidigal, Armando Almeida Lima, Carlos Duque, Lu&#237;s Cl&#225;udio Lima da Silva, M&#225;rio S&#233;rgio Teixeira da Luz y Paulo Muniz, personajes de la historia de lucha y resistencia en la favela de Vidigal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En este art&#237;culo desarrollamos, en dos apartados, un poco de ese recorrido de la Escuela de Cine de Djalma durante la elaboraci&#243;n de una memoria de lucha de la favela de Vidigal. En la primera secci&#243;n abordaremos el proceso de restauraci&#243;n del material f&#237;lmico y sonoro en la Cinemateca del MAM-Rio, y la culminaci&#243;n de ese proyecto con la realizaci&#243;n del evento &lt;i&gt;Vidigal: im&#225;genes, memoria e resistencia&lt;/i&gt; en agosto de 2018. Ya la segunda parte versa sobre la realizaci&#243;n del corto &lt;i&gt;Vidigal: ejercicios de pensamiento&lt;/i&gt; realizado en 2019, confeccionado solamente a partir de materiales de archivo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;El archivo en escena - &lt;i&gt;Vidigal: im&#225;genes, memoria y resistencia&lt;/i&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;No se pueden resucitar las vidas hundidas en el archivo. Esa no es una raz&#243;n para dejarlas morir por segunda vez. Hay poco espacio para elaborar un relato que no las anule ni las disuelva, que las mantenga disponibles hasta que un d&#237;a, en otro lugar, se haga otra narraci&#243;n de su enigm&#225;tica presencia. (Farge, 1991, p. 95)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;&lt;div class='spip_document_1309 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_center spip_document_center'&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://journal.eticaycine.org/IMG/jpg/vidigal_1.jpg?1754362464' width='500' height='281' alt='' /&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Figura 1: Moviola, tapones, cilindros, alcohol isoprop&#237;lico. Cinemateca de MAM-Rio. Marzo/abril de 2018. Fotograf&#237;a de Marta Chamarelli.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partir de marzo de 2018, iniciamos el proceso de recuperaci&#243;n/restauraci&#243;n del material de archivo de Fel&#237;cia Krunholz. Un verdadero legado audiovisual del R&#237;o de Janeiro de la d&#233;cada de 1970 y que ahora, a partir del proyecto de cine de la escuela, forma parte del archivo de la Cinemateca del MAM-Rio. Seg&#250;n Thais Blank, en su tesis doctoral, &lt;i&gt;Da tomada &#224; retomada: origem e migra&#231;&#227;o do cinema dom&#233;stico brasileiro&lt;/i&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-11&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;De la tomada a la retomada: origem y migraci&#243;n del cine dom&#233;stico brasile&#241;o (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-11&#034;&gt;11&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; (2015), la llegada a un archivo p&#250;blico, el cuidado a partir de una adecuada conservaci&#243;n y el posible retorno en trabajos de investigaci&#243;n y en trabajos art&#237;sticos parecen ser un destino reservado para pocas im&#225;genes de esta naturaleza en Brasil (p. 22). La Escuela de Cine Djalma se encarg&#243; de la limpieza, digitalizaci&#243;n y conversi&#243;n de este material.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El 26 de febrero de 2018, primer d&#237;a de trabajo en la cinemateca, por cada rollo de pel&#237;cula super-8, cada caja de diapositivas, foto negativo, hoja amarillenta del gui&#243;n de la pel&#237;cula que fueron sacados de la caja de poliestireno de Fel&#237;cia, &#161;una vibraci&#243;n! La retirada y catalogaci&#243;n del material tom&#243; toda la ma&#241;ana. Los documentos en papel se almacenaron en cinco sobres distribuidos de la siguiente manera: 1- documentos varios, 2- fotos, contactos y negativos, 3- documentos (gui&#243;n de investigaci&#243;n), 4- casetes de entrevista a Carlinhos Pernambuco y 5- tres cintas de casetes. El material f&#237;lmico fue separado y se acondicionado en quince latas adecuadas para tal almacenamiento. La tarde se reserv&#243; para leer y escanear todos aquellos papeles: un total de 61 documentos. En las notas del cuaderno de campo de ese d&#237;a qued&#243; registrada toda la emoci&#243;n de estar frente a los archivos. &#8220;Talvez todos os 13 pequenos rolos de super-8 sejam o material do rolo maior com o filme que fizeram, ser&#225;?&#8221;. Seg&#250;n Farge (1991), &#8220;el archivo pronto impone una sorprendente contradicci&#243;n; al mismo tiempo que invade y sumerge, remite, por su desmesura, a la soledad&#8221; (p. 16). Marta estaba all&#237; ese d&#237;a, completamente tomada por el archivo. En el cuaderno de campo escribi&#243;: &#8220;que mostrar&#225;n las im&#225;genes de esos registros audiovisuales sobre los combates de la favela del Vidigal?&#8221;. &#8220;Conseguir&#233; trabajar con ellos?&#8221;. &#8220;Tendr&#233; condiciones de montarlos?&#8221;. Esa noche, fue dif&#237;cil conciliar el sue&#241;o para ella. Fue invadida por una mezcla de sensaciones ... &#8220;La pasi&#243;n por el archivo no impide las emboscadas. Ser&#237;a una inmodestia el creerse a salvo porque las hemos descubierto&#8221; (Farge, 1991, p. 62).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El proceso completo no fue tan r&#225;pido y solo ver&#237;amos las primeras im&#225;genes del pasado el 25 de mayo de 2018, cuando telecinamos&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-12&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Telecine es un proceso convencional utilizado para convertir films en (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-12&#034;&gt;12&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; la primera pel&#237;cula de Vidigal, despu&#233;s de muchos d&#237;as de limpieza y catalogaci&#243;n. Nuestra estancia en la cinemateca fue de un aprendizaje y una experiencia &#250;nicos, que a&#250;n hoy, mientras escribimos, nos conmueve. Fue Hernani Heffner quien separ&#243; lo rescatable de lo que ya se hab&#237;a perdido. A partir de entonces, Marta Chamarelli&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-13&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Miembro del Grupo CINEAD y voluntaria en la recuperaci&#243;n del material (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-13&#034;&gt;13&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; y yo pasamos todas las tardes de marzo y abril de 2018 realizando sesiones de limpieza de pel&#237;culas en la Cinemateca do MAM-Rio. &#161;Una verdadera iniciaci&#243;n a un rito hasta ahora desconocido para nosotras! Tapones&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-14&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Protectores que sirven para fijar los carretes de los films en la moviola (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-14&#034;&gt;14&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, alcohol isoprop&#237;lico&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-15&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;El alcohol isoprop&#237;lico es utilizado para la limpieza de las pel&#237;culas, ya (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-15&#034;&gt;15&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, moviolas&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-16&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Moviola era una marca de equipo de montaje cinematogr&#225;fico que, en muchos (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-16&#034;&gt;16&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, carretes&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-17&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Cilindro para enroscar pel&#237;culas.&#034; id=&#034;nh2-17&#034;&gt;17&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; decoraban nuestra escena laboral en ese momento. Desenrollamos, limpiamos y rebobinamos las pel&#237;culas, en una experiencia t&#225;ctil muy particular que nadie que solo conozca el cine digital, nunca podr&#225; experimentar. Ten&#237;amos la pel&#237;cula en nuestras manos como materia, un objeto tangible y no bytes en un archivo virtual. &#8220;La atracci&#243;n del archivo&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-18&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Entendemos &#8220;La atracci&#243;n del archivo&#8221; como el gusto por los archivos. T&#237;tulo (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-18&#034;&gt;18&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; pasa por ese gesto de artesano, lento y poco rentable, durante el cual se copian los textos, trozo tras trozo, sin transformar su forma, ni su ortograf&#237;a, ni siquiera la puntuaci&#243;n. Sin siquiera pensar demasiado en ello. Pensando en ello continuamente&#8221;. (Farge, 1991, p. 18).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Manipulamos una fina pel&#237;cula que se rompe, se arruga, se perfora, atraviesa y que incluso el propio trabajo de limpieza, si es un poco m&#225;s intenso o descuidado, puede destruir. El olor fuerte y &#225;cido del material ya en descomposici&#243;n de las pel&#237;culas y el entorno de la Cinemateca dio a nuestras acciones un sentimiento de profundo respeto por lo que est&#225; a punto de perderse. Incluso dir&#237;amos que nuestro miedo y cuidado parec&#237;an similares a los de quien toca un objeto sagrado y fr&#225;gil, en un intento de cuidarlo y evitar o retrasar el proceso de degradaci&#243;n y de p&#233;rdida inexorable. Esas acciones repetitivas y sistem&#225;ticas ten&#237;an algo de ritual y misterio. Despu&#233;s de todo, limpiamos, pero no sab&#237;amos todav&#237;a verdaderamente de qu&#233; se trataba o si hab&#237;a im&#225;genes que pudieran ser proyectadas e inteligibles para quienes vivieron las experiencias de la d&#233;cada de 1970. Seg&#250;n Blank (2015), &#8220;las im&#225;genes que nos inquietan est&#225;n separadas de nosotros a trav&#233;s del espacio de la historia, a trav&#233;s de un vac&#237;o de significados que nos impulsa a reconstruir sus trayectorias y permitir que se abran a otros usos&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-19&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#233;s: &#8220;as imagens que nos (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-19&#034;&gt;19&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; (p. 23).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se necesitaron algunas semanas para limpiar y completar las fichas para ingresar los filmes a la cinemateca. Estado de las pel&#237;culas, condiciones de almacenamiento, metraje, desprendimiento de emulsi&#243;n, rayones de emulsi&#243;n, contracci&#243;n, hongos, rayones de soporte, perforaciones, rasgaduras, empalmes no originales, grado t&#233;cnico &#8210;todo para telecinar y digitalizar el material&#8210; otro mundo se abri&#243; para nosotros en esa peque&#241;a sala de la Cinemateca.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A medida que avanz&#225;bamos en el proceso de limpieza de las pel&#237;culas, tambi&#233;n &#237;bamos compartiendo todo este aprendizaje con los estudiantes del proyecto de cine en nuestras clases en la escuela. Llev&#225;bamos el material original y mostr&#225;bamos lo que est&#225;bamos haciendo. Los j&#243;venes de la era digital se sorprend&#237;an cuando, por ejemplo, les explicamos que est&#225;bamos limpiando pel&#237;culas, pegando nuevas puntas del &lt;i&gt;film&lt;/i&gt; para poder proyectarlas, ya que esa era la &#250;nica forma en que pod&#237;amos ver las im&#225;genes. Tampoco imaginaban que en el pasado, las pel&#237;culas se ensamblaban cortando los fotogramas con tijeras y peg&#225;ndolos ... De hecho, hab&#237;a un artefacto que se utilizaba para realizar ese proceso y evitar mucho la manipulaci&#243;n de la pel&#237;cula, pero se pod&#237;a tambi&#233;n cortar con tijeras.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Una vez terminada la limpieza, tuvimos la tarea de poner puntas nuevas en cada una de las pel&#237;culas para asegurarnos de que el filme ingresara en proyector y se realizara la proyecci&#243;n con &#233;xito. Algunas pel&#237;culas estaban en muy mal estado y sus puntas lo demostraban. Una vez rechazados por el proyector, impedir&#237;an que la pel&#237;cula ingresara en el engranaje o podr&#237;an hacer que la pel&#237;cula se rompiera, haciendo imposible su recuperaci&#243;n y digitalizaci&#243;n. Una vez que se cambiaron las puntas (fue tambi&#233;n emocionante manipular las pel&#237;culas de esta manera), comenzamos a monitorear el proceso de proyecci&#243;n y conversi&#243;n de un formato a otro. S&#237;, porque un profesional har&#237;a esto, ya que nosotros no ten&#237;amos el equipo para hacerlo. Fueron algunas semanas de trabajo, eran muchas pel&#237;culas y siempre aparec&#237;an problemas. Con cada cinta introducida en el carrete, acompa&#241;ada, por un lado, de la estela incidental del ruido caracter&#237;stico del proyector, y, por otro, del olor a vinagre que ya no parec&#237;a dejarnos, surg&#237;a alguna sorpresa y nos invad&#237;a la emoci&#243;n. De repente, todo este esfuerzo estaba comenzando a tener sentido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Las im&#225;genes aparec&#237;an: planos generales de Vidigal 40 a&#241;os atr&#225;s, la Avenida Niemayer, los autos de la &#233;poca, las casas de adobe... Todo nos trajo un tiempo que nunca vuelve, pero que nos recuerda el accionar de un colectivo de personas que comprometieron todos sus esfuerzos en favor de un bien com&#250;n, la defensa de su lugar de residencia. &#161;Nuestra incursi&#243;n por los caminos de la conservaci&#243;n y recuperaci&#243;n de material f&#237;lmico hab&#237;a sido un &#233;xito! All&#237; estaban las pel&#237;culas &#8210;registros hist&#243;ricos de un movimiento importante en la historia de los movimientos sociales en R&#237;o de Janeiro, las favelas y tambi&#233;n &#191;por qu&#233; no? del cine super-8. Medio de vida &#250;til breve, pero que ciertamente guarda importantes registros de una d&#233;cada, en varias cajitas esparcidas por todos lados. &#8220;Trozos de verdad actualmente vencidos aparecen ante la vista: cegadores de nitidez y de credibilidad. No cabe duda, el descubrimiento del archivo es un man&#225; que se ofrece y que justifica plenamente su nombre: fuente&#8221; (Farge, 1991, p. 12).&lt;/p&gt;
&lt;div class='spip_document_1310 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_center spip_document_center'&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://journal.eticaycine.org/IMG/jpg/vidigal_2.jpg?1754362464' width='500' height='333' alt='' /&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Figura 2: Favela de Vidigal 1977/78 &#8211; Carlos Pernambuco y su fam&#237;lia. Fotografia de Fel&#237;cia Krumholz. Archivo Cinemateca del MAM-Rio &#8211; Lote de la Associa&#231;&#227;o dos Moradores da Vila do Vidigal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El 13 de agosto de 2019, con todo el material recuperado, promovimos el evento &lt;i&gt;Vidigal: im&#225;genes, memoria y resistencia&lt;/i&gt; en esta misma Cinemateca a la que ya nos sent&#237;amos pertenecientes, dadas las experiencias que viv&#237;amos all&#237;: el encuentro con la cineasta aficionada, el encuentro con los archivos en su caja de poliestireno, los deliciosos meses de limpiar y recuperar el material en ese ambiente que invita a la reflexi&#243;n, y ahora de regreso a la sala de cine para mostrar el material restaurado a los personajes de esta historia de lucha en la favela. En esta ocasi&#243;n, reunimos en la sala de cine MAM-Rio a muchos de los involucrados en la lucha en ese momento: ex residentes/activistas, colaboradores en la lucha por la no remoci&#243;n en 1977/78, residentes actuales de la favela, estudiantes del proyecto cinematogr&#225;fico de la escuela, profesores de la escuela Djalma Maranh&#227;o y miembros del grupo de investigaci&#243;n CINEAD/ LECAV.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El (re)encuentro de los personajes de la historia con las im&#225;genes de archivo, con los compa&#241;eros de lucha y con los j&#243;venes estudiantes fue realmente emotivo. Los comentarios durante la proyecci&#243;n revelaron la emoci&#243;n en las conversaciones. El encuentro de los testigos con los archivos ya se estaba produciendo como un montaje de hechos pasados. La voz, por momentos quebrada, record&#243; momentos de combate, victoria y tambi&#233;n el dolor de la p&#233;rdida de algunos que ya no estaban entre ellos. Al final, muchas conversaciones, &#8220;cuentos&#8221; narrados, abrazos e intercambio de tel&#233;fonos, porque muchos hab&#237;an perdido el contacto entre ellos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El se&#241;or Armando Almeida Lima, uno de los principales nombres de la resistencia de Vidigal, record&#243;, por ejemplo, un hecho notable para &#233;l: &#8220;mir&#225;, frecuentemente nosotros d&#225;bamos entrevistas pensando que eran periodistas, pero eran los hombres del DOI-CODI&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-20&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Destacamento de Opera&#231;&#245;es de Informa&#231;&#227;o &#8211; Centro de Opera&#231;&#245;es de Defesa (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-20&#034;&gt;20&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; queriendo informaciones sobre lo que est&#225;bamos haciendo...&#8221;. Seg&#250;n Blank y Machado (2018), investigadores de pel&#237;culas dom&#233;sticas, como Roger Odin, por ejemplo, resaltan la importancia de los comentarios durante la proyecci&#243;n de im&#225;genes, ya que m&#225;s que espectadores, son personajes activos que act&#250;an en la creaci&#243;n colectiva de la narrativa familiar. En nuestro caso, de la narrativa de lucha, resistencia y victoria de este grupo de residentes/activistas que, levant&#225;ndose en tiempos dictatoriales y luchando por una causa com&#250;n, evitaron una di&#225;spora m&#225;s en sus vidas. Una narrativa en el acontecimiento proporcionada por el contacto con las im&#225;genes de archivo proyectadas en la pantalla de cine.&lt;/p&gt;
&lt;div class='spip_document_1311 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_center spip_document_center'&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://journal.eticaycine.org/IMG/jpg/vidigal_3.jpg?1754362464' width='500' height='347' alt='' /&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Figura 3: Armando Almeida Lima y Fel&#237;cia Krumholz narrando recuerdos de la lucha por la permanencia de la favela de Vidigal en 1977/78. Evento Vidigal: im&#225;genes, memoria e resistencia. 13 de agosto de 2018. Fotograf&#237;a tomada por los estudiantes de la Escuela de Cine do Djalma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para la ocasi&#243;n, colocamos una urna en la puerta de la Cinemateca para que el p&#250;blico pudiera compartir opiniones, sugerencias, recuerdos ... Destaco aqu&#237; algunos de los mensajes all&#237; depositados. &#8220;Estoy saliendo de aqu&#237; muy emocionada de ver mi historia en im&#225;genes restauradas&#8221; (residente de Vidigal que era un ni&#241;o en el momento del intento de remoci&#243;n). &#8220;Ave Mar&#237;a, &#161;c&#243;mo el registro de las im&#225;genes ayuda a transformar la narrativa de um local, principalmente empoderando a los moradores! (vecino de la regi&#243;n de la Baixada Fluminense y nieto de uno de los ex presidentes de la Asociaci&#243;n de Vecinos de Vila do Vidigal). &#8220;Fue muy bueno poder revivir tantas cosas de las que particip&#233; y que ya no me acordaba...&#8221; (residente de Vidigal). &#8220;Una historia que marc&#243; la vida de muchas personas&#8221; (profesor). &#8220;El evento fue renovador e interesante y no todos tienen suerte como nosotros&#8221; (estudiante de la Escuela de Cine do Djalma).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En cuanto a los ni&#241;os y j&#243;venes del proyecto cinematogr&#225;fico, percib&#237;amos, en todo momento, el inter&#233;s y la escucha atenta a las narrativas de los mayores, adem&#225;s de estar involucrados en filmar y fotografiar todo el evento. Presenci&#225;bamos un poderoso encuentro generacional mediado por las im&#225;genes de archivo en la pantalla de cine (documentos del pasado) y por los testimonios de quienes lucharon por la permanencia de la favela de Vidigal en la d&#233;cada de 1970. As&#237;, &#237;bamos construyendo, en el presente, una memoria hist&#243;rica personal y colectiva, ya que el hecho de presentar el material restaurado a los personajes de la historia fue en s&#237; mismo un montaje vivo, del que fueron testigos los j&#243;venes del proyecto cinematogr&#225;fico.&lt;/p&gt;
&lt;div class='spip_document_1312 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_center spip_document_center'&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://journal.eticaycine.org/IMG/jpg/vidigal_4.jpg?1754362464' width='500' height='281' alt='' /&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Figura 04: J&#243;venes de la Escuela de Cine do Djalma en el evento Vidigal: im&#225;genes, memoria e resistencia. Cinemateca do MAM-Rio. 13 de agosto de 2018. Fotografia de los estudiantes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En la escuela, al d&#237;a siguiente del evento, los alumnos nos dijeron: &#8220;no dormi durante toda la noche, s&#243;lo pensando en el MAM!&#8221; (Ra&#237;, 12 a&#241;os). &#161;Yo so&#241;&#233; con aquellas im&#225;genes antiguas, s&#243;lo que en mi sue&#241;o yo estaba dentro de las im&#225;genes!&#8221; (Maria Clara, 10 a&#241;os). &#8220;&#161;T&#237;a, cont&#233; todo para mi mam&#225;! Cu&#225;ndo vamos a volver al MAM?&#8221; (Alice, 8 a&#241;os). &#8220;Mi calle es la calle Dr. Bento Rubi&#227;o, ahora s&#233; qui&#233;n es.&#8221; (Brenda, 11 a&#241;os). &#8220;&#191;T&#237;a, est&#225; en internet? &#161;Quiero mostrarle a mi familia!&#8221; (Pedro Henrick, 10 a&#241;os). Muchos de nuestros estudiantes nunca hab&#237;an ido a un cine ni a un museo. &#191;Qu&#233; signific&#243; para ellos haber visto esta historia de lucha y resistencia de los &lt;i&gt;favelados&lt;/i&gt; en la pantalla del cine? &#191;En la pantalla del cine del museo?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Es interesante que, a partir del proyecto cinematogr&#225;fico con la historia de la favela y la elaboraci&#243;n de una memoria colectiva, los estudiantes, especialmente los de cuarto y quinto a&#241;o, trajeron una nueva postura en sus h&#225;bitos y actitudes en nuestras clases de Educaci&#243;n F&#237;sica. Sus cuerpos ya no solo ped&#237;an actividades f&#237;sicas, sino que, por el contrario, se pon&#237;an, cuestionaban, contaban historias, angustias y ansiedades. Trajeron sus sue&#241;os, movilizaron nuevas formas de expresi&#243;n y, sobre todo, revelaron secretos. S&#237;, &#8220;secretos&#8221; que la direcci&#243;n de la escuela no pudo o&#237;r, ni la maestra del aula, ni algunos compa&#241;eros ... as&#237; me dec&#237;an... A partir del encuentro con las im&#225;genes de archivo de la resistencia de Vidigal en 1977/78, mi propio cuerpo parec&#237;a haber encontrado otro lugar, tanto en la escuela como en la favela. La escucha se ampliaba, el afecto se multiplic&#243;, las relaciones se fortalec&#237;an. &#8220;&#191;Marta, ser&#225; que cuando nuestros hijos est&#233;n aqu&#237; vos vas a ser su profesora?&#8221; (Brenda, 12 a&#241;os).&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;Tuvimos la oportunidad de estar en el MAM, de ver gente peleando por el Vidigal que hasta el d&#237;a de hoy no conoc&#237;amos y que a&#250;n hoy est&#225;n vivas. Viendo c&#243;mo eran las casas de madera, c&#243;mo se construy&#243; la Sede de la Asociaci&#243;n y todo eso ... fue una gran experiencia ver llorar a esa gente. Est&#225;bamos en el lateral de la sala de la Cinemateca, ellos estaban en la platea y mientras t&#250; hablabas de la mudanza ellos lloraban ... Tuvimos esta oportunidad de conocerlos a todos ellos, que la mayor&#237;a de la gente no tiene. Si no fuera por ellos, no estar&#237;amos aqu&#237; ahora. Fue muy emocionante verlos a todos all&#237;, hay uno que vive cerca de mi casa y yo no lo sab&#237;a. Le dir&#233; a mi madre. (Ra&#237;, 12 a&#241;os).&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Al d&#237;a siguiente de este hecho en el MAM, un operativo policial en la favela de Vidigal provoc&#243; un intenso tiroteo. Como es habitual en d&#237;as como este, tuvimos que poner a todos los alumnos en la sala de reuniones, el lugar m&#225;s seguro de la escuela. Nuestra alegr&#237;a del d&#237;a anterior dif&#237;cilmente podr&#237;a celebrarse. Una vez m&#225;s nos enfrent&#225;bamos a la violencia y al miedo. Aun as&#237;, no dejamos de hablar del evento del d&#237;a anterior en la Cinemateca del MAM-Rio. Los estudiantes que estuvieron all&#237; contaron a otros sobre su experiencia. Incluso con la ansiedad y el miedo que provocaba la brutalidad habitual de los operativos policiales en la favela, con la peculiar agitaci&#243;n de estos tristes momentos, nos pod&#237;amos escuchar. Dejamos el sonido de las balas y tratamos de centrarnos en las narrativas. El entusiasmo de ese d&#237;a especial contamin&#243; los discursos de los ni&#241;os y llam&#243; la atenci&#243;n de todos. Volvimos a emocionarnos como el d&#237;a anterior en la Cinemateca. Seg&#250;n Benjamin (2009), la experiencia es lo que nos afecta hasta el punto de transformarnos. &#161;Nos estaba afectando! &#161;La experiencia de los estudiantes con los archivos en la pantalla grande de un cine y con los testimonios de los personajes de esa historia proporcion&#243; una rica narrativa! En el colegio, al son de los disparos, Ra&#237; (12 a&#241;os) nos dec&#237;a: &#8220;no podemos desistir de nuestros sue&#241;os&#8221;. Vygotski (1998) enfatiza que la emoci&#243;n no es menos que el pensamiento y que es constitutivo de las acciones educativas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al pensar que no hay lucha por el futuro sin memoria del pasado, que el conocimiento de lucha y resistencia de un grupo de personas de la favela &#8210;una historia no oficial&#8210; se puede elaborar en la escuela, que la emoci&#243;n forma parte del proceso educativo y que habitar los espacios educativos con arte implica ser conscientes de la responsabilidad de transformarnos a nosotros mismos y al mundo con los dem&#225;s, decidimos hacer un nuevo documental, titulado &lt;i&gt;Morro do Vidigal&lt;/i&gt;, desde una perspectiva historiogr&#225;fica en donde el pasado pueda adquirir un car&#225;cter contempor&#225;neo. Benjamin (2009), al enfatizar que el tiempo del ahora no podr&#237;a ser aprehendido por el m&#233;todo dial&#233;ctico en el contexto de la ideolog&#237;a del progreso, defiende que:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;Deber&#237;a hablarse de una creciente condensaci&#243;n (integraci&#243;n) de la realidad, en la cual todo lo que es pasado (en su tiempo) puede adquirir un grado m&#225;s alto de actualidad del que ten&#237;a en el propio momento de su existencia. El pasado adquiere el car&#225;cter de una actualidad superior gracias a la imagen con la cual y a trav&#233;s de la cual es comprendido. Esta indagaci&#243;n dial&#233;ctica y la presentificaci&#243;n de las circunstancias del pasado son la prueba de verdad de la acci&#243;n del presente. O sea: enciende la mecha del material explosivo que se sit&#250;a en lo ocurrido (cuya figura aut&#233;ntica es la moda). Abordar de esta manera lo ocurrido significa estudiarlo no como se hace hasta ahora, de manera hist&#243;rica, sino de manera pol&#237;tica, con categor&#237;as pol&#237;ticas.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-21&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#233;s: &#8220;Deveria se falar (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-21&#034;&gt;21&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; (Benjamin, 2009, p. 436-437).&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;As&#237; entendimos que restaurar im&#225;genes no era suficiente. Ponerlas frente a los testigos de su &#233;poca ya era una especie de montaje vivo de la historia, pero era necesario hacer una pel&#237;cula, porque el cine es un acto de memoria. Los estudiantes ya estaban recogiendo conocimientos sobre su propia historia, saberes que iban m&#225;s all&#225; de los relatos en los libros escolares, que en su mayor&#237;a son transmitidos de forma euroc&#233;ntrica y bajo la ideolog&#237;a del progreso. Pero nos pregunt&#225;bamos si la experiencia de elaborar una memoria colectiva de lucha y resistencia en la favela de Vidigal a trav&#233;s de un documental (realizado a partir del enfrentamiento de los archivos con los testimonios de los personajes de la historia), una pel&#237;cula realizada con el Vidigal y no sobre el Vidigal tendr&#237;a un potencial emancipatorio para los estudiantes y profesores de la escuela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Una pel&#237;cula de archivos. &lt;i&gt;Vidigal: Ejercicios de pensamiento&lt;/i&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;Solo tiene derecho a encender en el pasado la chispa de la esperanza aquel historiador traspasado por la idea de que ni siquiera los muertos estar&#225;n a salvo del enemigo, si este vence. Y este enemigo no ha dejado de vencer. (Benjamin, 1971, p. 80)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Durante el a&#241;o lectivo 2019, con la intenci&#243;n de empezar a producir el documental &lt;i&gt;Morro de Vidigal&lt;/i&gt;, nos detuvimos con m&#225;s atenci&#243;n en el material de archivo recuperado. Comenzamos a mostrar im&#225;genes de anta&#241;o en nuestras sesiones mensuales del club de cine para todos los cursos en el turno ma&#241;ana en la escuela, desde el jard&#237;n de infantes hasta el quinto a&#241;o de primaria. &#161;Nos sorprendieron mucho los comentarios de los estudiantes! Los ni&#241;os de 4 a 5 a&#241;os reconocieron en las im&#225;genes de la favela de Vidigal de hace 40 a&#241;os los lugares actuales, como un nuevo restaurante junto al muro de la Escola Almirante Tamandar&#233;. Inexistente en las im&#225;genes del pasado, el restaurante es el lugar donde trabajan los padres del ni&#241;o. El ni&#241;o del jard&#237;n de infantes reconoci&#243; el ambiente laboral de sus familiares al identificar el muro de la escuela Tamandar&#233; en las im&#225;genes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Incluso con las marcas de tiempo impresas en las im&#225;genes descoloridas, la atenci&#243;n y el inter&#233;s de los ni&#241;os fueron completos. El tema dispuesto en la mesa en la pantalla &#8210;historias de combate de los vecinos de la favela&#8210;, a pesar de ser parte de la realidad del lugar donde viven los estudiantes, a&#250;n resulta desconocido tanto para ellos como para los profesionales que trabajan en el territorio.&lt;/p&gt;
&lt;div class='spip_document_1313 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_center spip_document_center'&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://journal.eticaycine.org/IMG/jpg/vidigal_5.jpg?1754362464' width='500' height='333' alt='' /&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Figura 5: Chicos en la puerta de la escuela Almirante Tamandar&#233; - 1978. Archivo Cinemateca del MAM-Rio &#8211;Lote da Associa&#231;&#227;o dos Moradores da Vila do Vidigal. Fotografia de Fel&#237;cia Krumholz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Los alumnos de quinto a&#241;o observaron las im&#225;genes antiguas de la favela y notaron que hab&#237;a mucha vegetaci&#243;n; que hoy en d&#237;a los caminos a pie se hacen por callejones estrechos; ya no hay &#225;reas libres para volar barriletes o saltar la cuerda como ven hacer a los ni&#241;os de antes. Cuando aparecieron las im&#225;genes de Antares, donde se ubicar&#237;a parte de la favela de Vidigal, los estudiantes, asustados, comentaron: &#8220;caramba t&#237;a, &#237;bamos a vivir ah&#237;, &#191;eh?&#8221;. &#8220;Parece una prisi&#243;n!&#8221; (Cristiano, clase 1501).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La experiencia con los archivos (im&#225;genes de la favela del pasado), puestos en la mesa/pantalla en los cineclubes de nuestra escuela, se&#241;al&#243; una disposici&#243;n atenta de los estudiantes al tema. Continuamos con las exhibiciones de im&#225;genes super-8 y con ellas surgieron nuevas preguntas, dudas, inquietudes e informes de los estudiantes, como: &#8220;Bah, &#191;por qu&#233; esa confusi&#243;n, por qu&#233; quer&#237;an sacarnos de aqu&#237;?&#8221; (Jackson / 1501). Helo&#237;sa respondi&#243;: &#8220;no viste que la t&#237;a dijo que quer&#237;an hacer un edificio de ricos, con nombre de Niemeyer...&#8221;. Cristian respondi&#243;: &#8220;y nosotros somo pobres, &#191;no?&#8221;. Pedro Ot&#225;vio comunic&#243;: &#8220;mi abuela ya estaba aqu&#237; en ese tiempo, ella quiere ver esas im&#225;genes, t&#237;a!&#8221;. Ana Victoria pregunt&#243;: &#8220;&#191;Eh, no hab&#237;a agua? &#191;No hab&#237;a luz, t&#237;a?&#8221;. Un estudiante exclam&#243;: &#8220;caramba, qu&#233; confusi&#243;n... qu&#233; mont&#243;n de gente es esa?&#8221;. &#191;Qu&#233; es lo que se est&#225;n tirando encima? Eh, all&#225;...&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partir de estas proyecciones de im&#225;genes de la Vidigal del pasado en la escuela, decidimos realizar un primer ejercicio de montaje con los archivos recuperados, una especie de recopilaci&#243;n del extenso material que ten&#237;amos en nuestras manos. As&#237;, comenzamos a transcribir la cinta de casete con la entrevista de Carlinhos Pernambuco&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-22&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Cinta casete que conten&#237;a el material de archive de Fita cassete que (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-22&#034;&gt;22&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, residente/activista, ex presidente de la Asociaci&#243;n de Vecinos y ahora fallecido. A partir de la transcripci&#243;n de audio, la idea de la edici&#243;n empez&#243; a habitarnos. Sentimos la urgencia de comenzar a recopilar estas im&#225;genes de archivo de los discursos de Carlinhos Pernambuco. De sus palabras y de las preguntas de los ni&#241;os elegimos las primeras im&#225;genes del montaje. Ten&#237;amos algunas certezas: trabajar solo con archivos, insertar la voz de un alumno (tambi&#233;n de archivos), usar la imagen de Antares (la que evocaba el discurso de los estudiantes relacion&#225;ndolo como una prisi&#243;n) repetidamente en el montaje. Esta imagen aparece tres veces en el montaje, la primera sin sonido. &#8220;Las t&#225;cticas de la velocidad, de ruido, oponer t&#225;cticas de lentitud, de silencio&#8221; (Bresson, 1979, p. 58). El segundo, con un discurso de Carlinhos Pernambuco sobre el traslado de los pobres a lugares precarios alejados de sus lugares de trabajo. Y el tercero, con un audio de Ninho Willian de Paula cantando un batuque africano. Todas las im&#225;genes y el audio utilizados provienen de archivos. Didi-Huberman (2018), postula que la puntuaci&#243;n tambi&#233;n se constituye como un trabajo de visibilidad, &#8220;notablemente en el uso sistem&#225;tico de planos fijos, repeticiones de una misma escena y los tipos de primeros planos que resultan de ello. Lo que vemos lo repasamos por segunda vez con un poco m&#225;s de precisi&#243;n y con la sensaci&#243;n de que se nos han abierto los ojos.&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-23&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#234;s: &#8220;notadamente no (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-23&#034;&gt;23&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; (p. 125). Intuitivamente nos dimos cuenta de que necesit&#225;bamos repetir esa imagen contundente que los propios alumnos denominaron prisi&#243;n. &#8220;Cuando no sabes lo que haces y lo que haces es mejor, esa es la inspiraci&#243;n&#8221; (Bresson, 1979, p. 77). &#8220;&#191;Caramba t&#237;a, &#237;bamos a vivir ah&#237; no? &#161;Parece una prisi&#243;n!&#8221; (Cristiano, clase 1501). Tambi&#233;n decidimos poner el sonido de disparos frecuentes en/desde la favela de Vidigal. Los ponemos completamente a oscuras, sin imagen. &#8220;El ojo es (en general) superficial; el o&#237;do, profundo e inventivo. El silbido de la locomotora nos suprime la visi&#243;n de toda una estaci&#243;n.&#8221; (Bresson, 1979 p. 76). De esta forma, comenzamos a hacer peque&#241;os ejercicios de edici&#243;n y a proyectarlos en los cineclubes escolares para que se pudieran debatir de forma colectiva. Las proyecciones contemplaron tanto a alumnos de la Escuela de Cine Djalma como a alumnos de 3&#186;, 4&#186; y 5&#186; de la ma&#241;ana.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No somos cineastas, pero apostando por este gesto de creaci&#243;n cinematogr&#225;fica compartido entre profesores y alumnos, nos atrevemos a realizar estos ejercicios de montaje, que llamamos &lt;i&gt;Vidigal: ejercicios de pensamiento&lt;/i&gt;. El tema es cercano a nosotros: a los estudiantes, porque viven en el territorio de la favela, y a m&#237;, por elecci&#243;n de vida. Con todo este proceso de cine en la escuela, con la elaboraci&#243;n de una memoria colectiva de la favela, el arte vuelve a mi trayectoria como pulsi&#243;n de vida. El arte en la escuela como potencia de combate a favor de una educaci&#243;n emancipadora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Con la presentaci&#243;n de estos ejercicios de edici&#243;n/montaje a los alumnos a finales de septiembre de 2019, lleg&#243; como un destello la versi&#243;n definitiva de este primer montaje, con una duraci&#243;n total de ocho minutos y treinta segundos. Partimos del audio de un alumno, extra&#237;do de la animaci&#243;n que hicimos en la escuela en 2017, en alianza con Anima Mundi: &lt;i&gt;Vidigal: en los vuelos de la conquista&lt;/i&gt; y con las fotograf&#237;as de la escuela Almirante Tamandar&#233; (1978) de Fel&#237;cia Krumholz. La voz de la estudiante en el audio utilizado narra el nacimiento de la Polic&#237;a Militar de R&#237;o de Janeiro con la llegada de la Corte. Tambi&#233;n narra el origen del nombre de la favela, relacionado con el comandante Miguel Nunes Vidigal, un polic&#237;a truculento que caza personas en situaci&#243;n de esclavitud. Mayor que gan&#243; las tierras al pie del &lt;i&gt;morro Dois Irm&#227;os&lt;/i&gt; de los monjes benedictinos, por sus servicios a la &#233;lite de la Corte. A continuaci&#243;n, coloqu&#233; en el montaje muchos planos de un audio y video que recib&#237; de los colectivos que frecuentaba en la favela de Vidigal. Disparos reales, como los que solemos escuchar en nuestra escuela. Puse el sonido de estas tomas sin imagen, totalmente a oscuras. Buscamos el poder de la imaginaci&#243;n del espectador, la imagen puede aparecer en su pensamiento seg&#250;n su subjetividad. &#8220;Cuando un sonido puede reemplazar una imagen, supr&#237;mala o neutral&#237;cela. El o&#237;do va m&#225;s hacia dentro, el ojo m&#225;s hacia afuera&#8221; (Bresson, 1979, p. 57). En el momento de la exposici&#243;n en el colegio, todos los ni&#241;os optaron por la permanencia de los tiros. Ninguno decidi&#243; sacarlos del montaje. Alice (clase 1301) dijo: &#8220;me gustan los tiros, es la favela hoy!&#8221; Pedro Henrick (clase 1501) coment&#243;: &#8220;es horrible, muero de miedo!&#8221;. Raquel (clase 1501) exclam&#243;: &#8220;lo que yo no quiero es morir pronto!&#8221;. Algunos ni&#241;os dijeron que sent&#237;an miedo, ira, odio, tristeza. Otro ni&#241;o dijo que ya se hab&#237;a acostumbrado. Despu&#233;s de los tiroteos, el montaje contin&#250;a con los audios de los reportajes del momento del intento de remoci&#243;n, con extractos de los audios de la entrevista de Carlinhos Pernambuco seleccionados por Marta y con im&#225;genes de la &#233;poca.&lt;/p&gt;
&lt;div class='spip_document_1314 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_center spip_document_center'&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://journal.eticaycine.org/IMG/jpg/vidigal_6.jpg?1754362464' width='500' height='376' alt='' /&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Figura 6: estudiante de la clase 1301 observando y opinando sobre el montaje &lt;i&gt;Vidigal: ejerc&#237;cios&lt;/i&gt; de pensamiento. Agosto de 2019. Escuela Djalma Maranh&#227;o. Fotograf&#237;a realizada por los estudiantes del proyecto de la escuela de cine.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En la primera exposici&#243;n de este montaje para quinto a&#241;o, a partir de las im&#225;genes en pantalla, el tema de la clase gir&#243; en torno a las personas en situaci&#243;n de esclavitud. Pas&#243; por los barcos de esclavos al comandante Vidigal&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-24&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;El comandante Miguel Nunes, egres&#243; de la milicia colonial a la cual ingres&#243; (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-24&#034;&gt;24&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; y su l&#225;tigo de tres puntas. Avanz&#243; a trav&#233;s de los &#8220;disparos en la cabeza&#8221; de Wilson Witzel y el gesto de pistola en mano, tan en boga/de moda en la pol&#237;tica brasile&#241;a de hoy&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-25&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;En el momento en el que se escribi&#243; este art&#237;culo ocupa el cargo de (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-25&#034;&gt;25&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. &#161;Al final de la clase, aplausos, muchos aplausos! &#191;Qu&#233; habr&#237;a provocado una reacci&#243;n tan inesperada, especialmente en los adolescentes que a menudo son tan esquivos/distantes del contenido escolar? &#191;Fue la emoci&#243;n con las im&#225;genes? &#191;La aproximaci&#243;n a partir de la pantalla grande de &#034;cosas&#034; que nunca antes hab&#237;an sido aproximadas?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El principio del montaje, en la escritura de la historia de Walter Benjamin (2009), propone una ruptura linear en la teor&#237;a de la historia desde la perspectiva de la ideolog&#237;a del progreso. Nos invita a una teor&#237;a de la historia como memoria donde, en la superposici&#243;n de diferentes temporalidades, podemos ver en la aparici&#243;n de lo nuevo, lo viejo que se repite. &#8220;Hay &#8216;un conocimiento a&#250;n no consciente' de lo sucedido, cuyo fomento posee la estructura del despertar&#8221;.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-26&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#234;s: &#8220;Existe &#8216;um saber (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-26&#034;&gt;26&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; (Benjamin, 2009, p. 962). Para el fil&#243;sofo interesaban los contrastes dial&#233;cticos que se confund&#237;an con los matices, porque &#8220;a partir de ellos, sin embargo, la vida siempre se recrea de nuevo&#8221;.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-27&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente veris&#243;n en portugu&#233;s: &#8220;a partir deles, no (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-27&#034;&gt;27&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; (Benjamin, 2009, p. 501). La imagen dial&#233;ctica es la que destella en el ahora de la cognoscibilidad y que har&#237;a posible el cambio en el continuo catastr&#243;fico de la humanidad. &#8220;La forma en que el pasado se adapta a su propia actualidad superior est&#225; determinada y creada por la imagen por la cual y bajo la cual se entiende, tratando el pasado, o mejor dicho, tratando lo sucedido no como se ha hecho hasta ahora, seg&#250;n el m&#233;todo hist&#243;rico, sino seg&#250;n el m&#233;todo pol&#237;tico&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-28&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#234;s: &#034;A maneira como o (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-28&#034;&gt;28&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; (Benjamin, 2009, p. 939). As&#237;, el pasado puede adquirir un grado de actualidad mayor que en el momento mismo de su existencia. Walter Benjamin, en el gran archivo de &lt;i&gt;Passagens&lt;/i&gt; (2009), teje sus teor&#237;as a partir de su colecci&#243;n de citas en lo que &#233;l ve como la similitud entre ellas. Seg&#250;n Sarlo (2007), &#8220;la semejanza, para Benjamin, no es identidad, porque si lo fuera perder&#237;a el car&#225;cter perturbador del parecido, para instalarse en el momento reconciliado de lo igual. Encontrar semejanzas es construir una imagen cr&#237;tica&#8221; (p. 51).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Masschelein y Simons (2013), por su parte, proponen una pr&#225;ctica pedag&#243;gica que transmite la experiencia escolar sin la tutela de la familia, ni el sello del Estado, sin una funcionalidad preestablecida. Su propuesta es estrictamente pedag&#243;gica, en el sentido de un hacer escolar no requerido por la sociolog&#237;a, la filosof&#237;a, la psicolog&#237;a, sino desarrollado entre docentes y alumnos en la lengua de la escuela, que permite a los j&#243;venes superar a las generaciones pasadas. Una suspensi&#243;n de tiempo y espacio que pueda enfocarse en cosas del mundo para el trabajo en com&#250;n. Una horizontalidad entre profesores y alumnos que realizan la acci&#243;n de profanaci&#243;n del conocimiento por la emancipaci&#243;n de los l&#237;mites epistemol&#243;gicos y afectivos de cada uno. Seg&#250;n los autores, para que haya una profanaci&#243;n del conocimiento es necesaria una relaci&#243;n horizontal entre maestro y aprendiz. Se necesita igual acceso y cuestionamiento de lo que se pone en relaci&#243;n, ya sea texto, pel&#237;cula, obra de teatro, mapa, objeto mec&#225;nico, etc., como enfatiza Dussel (2017):&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;La escuela, como espacio de iguales, deber&#237;a invitar a todos a acercarse de nuevo, como una nueva experiencia, a esos objetos que habilitan un encuentro distinto con el mundo, y que permiten apropi&#225;rselo a cada uno, encontrar un lugar en &#233;l, acceder a sus lenguajes como modos de representaci&#243;n de las experiencias humanas.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-29&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#234;s: &#8220;A escola como (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-29&#034;&gt;29&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; (p. 103).&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;As&#237;, entusiasmados, procedimos con las exposiciones de este primer montaje de los archivos: &lt;i&gt;Vidigal: ejercicios de pensamiento (2019)&lt;/i&gt;. Ahora eran los alumnos de la Escuela de Cine de Djalma quienes debatir&#237;an sobre ello. Esther (11 a&#241;os) dijo: &#8220;creo que debe pasar esa pel&#237;cula all&#225; en la vereda, abajo, para que esos blancos racistas vean lo que pasamos aqu&#237; en la favela con los &#8216;tiros en la cabecita' y quien sufre es nuestra familia pasando necesidades...&#8221;. Sarah (12 a&#241;os) coment&#243;: &#8220;Marta, yo creo que cuando el tipo dice que no es una botella para ser tirada, vos deber&#237;as colocar la imagen del cami&#243;n de basura removiendo las familias, porque es eso lo que &#233;l est&#225; diciendo, &#191;no?&#8221;. Inmediatamente incorpor&#233; la sugerencia de Sarah, la imagen del cami&#243;n de la basura vino junto con el discurso del zapatero Waldemar en una entrevista para el Jornal do Brasil en 1978. &#8220;Una cosa vieja se vuelve nueva cuando la separas de lo que habitualmente la rodea&#8221; (BRESSON, 1979, p&#225;g.53). Los j&#243;venes prestaban mucha atenci&#243;n y expresaban sus opiniones participando activamente en el proceso de edici&#243;n de nuestra pel&#237;cula de archivo. En cuanto a las tecnolog&#237;as de la educaci&#243;n escolar, Masschelein y Simons (2013) plantean que deben ser t&#233;cnicas que busquen, por un lado, involucrar a los j&#243;venes y, por otro, presentarles el mundo, es decir, hacer que enfoquen su atenci&#243;n. en algo. Una t&#233;cnica de hacer posible el tiempo libre (libre de funcionalidad al servicio del Estado/Mercado/Religi&#243;n Familia), t&#233;cnica que estar&#237;a destinada a permitir el &#8220;ser capaz&#8221; en s&#237; mismo, es decir, la experiencia de poder hacer esto. &#8220;Una teor&#237;a de t&#233;cnicas con el potencial &#250;nico de inducir la atenci&#243;n y el inter&#233;s y presentar o abrir el mundo&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-30&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#233;s: &#8220;Uma teoria de (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-30&#034;&gt;30&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; (Masschelein &amp; Simons, 2013, p. 66).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As&#237;, a finales de 2019 comenzamos a grabar &lt;i&gt;Morro de Vidigal&lt;/i&gt;, nuestro nuevo documental. La metodolog&#237;a de filmaci&#243;n se bas&#243; en la confrontaci&#243;n de im&#225;genes con testimonios de la historia de lucha en la favela de Vidigal. Actualmente se est&#225; editando la nueva pel&#237;cula.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Consideraciones finales&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;La imagen no tiene um valor absoluto.&lt;br class='autobr' /&gt;
Im&#225;genes y sonidos deber&#225;n su valor y su poder solo al uso que t&#250; les asignes&lt;br class='autobr' /&gt;
(Bresson, 1979, p. 27)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Con mucha atenci&#243;n y &#8220;amor al tema&#8221;, trazamos caminos, desde la apuesta por la investigaci&#243;n de la historia de la favela con el cine en la escuela (2015) hasta el rodaje de &lt;i&gt;Morro de Vidigal&lt;/i&gt; (2019). La pasi&#243;n por el tema en la pantalla/sobre la mesa, la atenci&#243;n, el inter&#233;s y la disciplina de los involucrados propiciaron un encuentro generacional mediado por las im&#225;genes de archivo descubiertas y restauradas por nosotros. Entendemos que un pasado no est&#225; dado previamente. Estuvimos/estamos preparando, actualizando, tejiendo colectivamente en la escuela una memoria de la lucha de la favela de Vidigal. Y toda esta elaboraci&#243;n no est&#225; supervisada por el Estado, el Mercado ni la Religi&#243;n. La elaboraci&#243;n de esta filosof&#237;a y memoria de las luchas y victorias de la favela Vidigal con el proyecto cinematogr&#225;fico de la escuela se ha desarrollado a trav&#233;s de una pr&#225;ctica pedag&#243;gica que anhela una educaci&#243;n emancipadora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Existi&#243; una revalorizaci&#243;n de esas im&#225;genes de archivo en la construcci&#243;n de nuevas capas de significado. Un sentido de pertenencia a un territorio que solo fue posible gracias a la lucha constante de quienes lo habitaban/habitan. Como dijo Ra&#237;, estudiante de la Escuela de Cine Djalma, con motivo del evento &lt;i&gt;Vidigal: im&#225;genes, memoria y resistencia&lt;/i&gt; en la Cinemateca del MAM-Rio en 2018, &#8220;s&#243;lo podemos vivir en el Vidigal hoy porque esos &#8216;viejos' lucharon para que la favela no fuera removida&#8221;. Esta lucha por el derecho a la vivienda es constante, ya que a lo largo de los a&#241;os las formas de sacar a los &lt;i&gt;favelados&lt;/i&gt; de las zonas &#8220;nobles&#8221; de la ciudad han ido cambiando, y es precisamente en estos momentos de amenaza que los m&#225;s j&#243;venes recurren a la memoria para fundamentar su permanencia en el territorio. As&#237;, consideramos la elaboraci&#243;n, en la escuela, de una memoria de lucha y resistencia en la favela de Vidigal, como una potencia de afirmaci&#243;n de identidades, como una posibilidad emancipadora a trav&#233;s de la comprensi&#243;n de lo que se es y se puede hacer en el orden social. Ante esto, creemos que mostrar las im&#225;genes de lucha y resistencia en la favela de Vidigal (1977/78) puede cambiar las formas de ver y so&#241;ar el lugar donde viven nuestros alumnos. Cuando vemos estas im&#225;genes, est&#225;bamos/estamos pensando en lo que vimos/vemos, y al pensar en c&#243;mo ensamblar estas im&#225;genes, tambi&#233;n estamos ejercitando lo que queremos mostrar con ellas, es decir, al trabajar en la repetici&#243;n e interrupci&#243;n de una imagen, buscamos la imagen como medio en s&#237; mismo, o el cine como gesto (Agamben, 2010).&lt;/p&gt;
&lt;div class='spip_document_1315 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_center spip_document_center'&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://journal.eticaycine.org/IMG/jpg/vidigal_7.jpg?1754362464' width='500' height='375' alt='' /&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Figura 7: La Escuela de Cine de Djalma en la Favela de Vidigal &#8211;2019&#8211; fotograf&#237;a de los estudiantes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nuestra imaginaci&#243;n se origina a partir de la acumulaci&#243;n de experiencia, no solo individual sino tambi&#233;n de otros, de una experiencia social. La fantas&#237;a se basa en la memoria y utiliza su material en nuevas combinaciones para producir algo real. La imaginaci&#243;n necesita experiencia y tambi&#233;n requiere tiempo, maduraci&#243;n, como casi todo en la vida. Es con ella que podemos transformar las cosas del mundo. Transformar todas las cosas del mundo, ya sea en la ciencia, la tecnolog&#237;a, el arte o en nuestras propias vidas. La experiencia, con la trama de una memoria de lucha de la favela Vidigal en la Escuela Municipal Prefeito Djalma Maranh&#227;o, constituy&#243; material para nuevas elaboraciones de la realidad por parte de nuestros alumnos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La apuesta por esta investigaci&#243;n de la historia de la favela a partir del cine en la escuela fue m&#225;s all&#225; de lo que imagin&#225;bamos. Se estaba formando todo un campo de investigaci&#243;n abierto hacia el plano de los afectos, una atenci&#243;n accesible al encuentro, y as&#237; las im&#225;genes de archivo chocaban con nosotros. Tras este choque, ya no qued&#243; ninguna duda de que mostrar las im&#225;genes de lucha y resistencia de 1977/78 era fundamental para que los estudiantes tuvieran elementos que pudieran sustentar los sue&#241;os de transformar la realidad social en la que viven. En este sentido, podemos destacar el testimonio de la estudiante Heloisa, al decir que viv&#237;a en la misma calle que el se&#241;or Armando, a quien ve&#237;a todos los d&#237;as, pero no sab&#237;a que era uno de los responsables de que la favela de Vidigal aun exista y, por lo tanto, de que ella viva all&#237;. Nuestro trabajo ayud&#243; a los estudiantes a conocer la historia de un grupo de personas que se unieron y evitaron otra di&#225;spora en sus vidas. Un grupo de gente de la favela que crey&#243; en la lucha y gan&#243;. Por tanto, elaborar esa memoria de una lucha victoriosa en la favela de Vidigal, en la Escuela de Cine Djalma, es la potencia de transformaci&#243;n de una realidad social a trav&#233;s de la posible identificaci&#243;n de los estudiantes con una generaci&#243;n que les precedi&#243;. Una generaci&#243;n de lucha. Una generaci&#243;n que so&#241;&#243;, confi&#243; y luch&#243; por sus derechos, logrando victorias. Una generaci&#243;n que debe ser destacada e incluida en el curr&#237;culo de las escuelas de la clase trabajadora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Referencias&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agamben, G. (2010). &#8220;Notas sobre el gesto&#8221;, en &lt;i&gt;Medios sin fin. Notas sobre la pol&#237;tica&lt;/i&gt;. Buenos Aires: Pre-Textos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Benjamin, W. (1971). &lt;i&gt;Tesis de filosof&#237;a de la historia&lt;/i&gt;. Barcelona: Edhasa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#8212;, W. (2009). &lt;i&gt;Passagens&lt;/i&gt;. Belo Horizonte: editora da Universidade Federal de Minas Gerais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Bosi, M. M. (2016). &lt;i&gt;Filmes de fam&#237;lia e constru&#231;&#227;o de lugares de mem&#243;ria: Estudo de um material de Super-8 rodado em Fortaleza e de sua retomada em Supermem&#243;rias&lt;/i&gt;. Disserta&#231;&#227;o (Mestrado em Comunica&#231;&#227;o e Cultura) - Centro de Filosofia e Ci&#234;ncias Humanas, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Bresson, R. (1979). &lt;i&gt;Notas sobre el Cinemat&#243;grafo&lt;/i&gt;. M&#233;xico: Ediciones Era.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Blank, Th. C. (2015). &lt;i&gt;Da tomada &#224; retomada: origem e migra&#231;&#227;o do cinema dom&#233;stico brasileiro&lt;/i&gt;. Tese de Doutorado. Programa de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em Comunica&#231;&#227;o e Cultura &#8211; PPGCOM Tecnologias da Comunica&#231;&#227;o e Est&#233;tica. Universidade Federal do Rio de Janeiro &#8211; UFRJ.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#8212;&amp; Machado, P. (2018). &lt;i&gt;Em busca de um m&#233;todo: entre a est&#233;tica e a hist&#243;ria de imagens dom&#233;sticas do per&#237;odo da ditadura militar brasileira&lt;/i&gt;. 27&#186; Encontro Anual COMP&#211;S 5-8 junho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Didi-Huberman, G. (2017). &lt;i&gt;Quando as imagens tomam posi&#231;&#227;o: O olho da hist&#243;ria I&lt;/i&gt;. Belo Horizonte: Editora UFMG.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dussel, I. (2017). &lt;i&gt;Sobre a precariedade da escola&lt;/i&gt;. In. Org. Larrosa, J. Elogio da escola, Belo-Horizonte: Aut&#234;ntica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Farge. A. (1991). &lt;i&gt;La atracci&#243;n del Archivo&lt;/i&gt;. Valencia: IVEI.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fresquet, A. (2013). &lt;i&gt;Cinema e Educa&#231;&#227;o- Reflex&#245;es e experi&#234;ncias com professores e estudantes de educa&#231;&#227;o b&#225;sica, dentro e fora da escola &#8211; Alteridade e Cria&#231;&#227;o 2&lt;/i&gt;. Aut&#234;ntica Editora LTDA, Belo Horizonte &#8211; MG.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gomes, L. (2007). &lt;i&gt;1808 Como uma rainha louca, um pr&#237;ncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napole&#227;o e mudaram a Hist&#243;ria de Portugal e do Brasil&lt;/i&gt;. S&#227;o Paulo: Editora Planeta do Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Leandro, A. (2018). &lt;i&gt;Testemunho filmado e montagem direta dos documentos&lt;/i&gt;. In. Dellamore, C.; Amato, G.; e Batista, N., orgs. A ditadura na tela. Quest&#245;es conceituais. Belo Horizonte: Faculdade de Filosofia e Ci&#234;ncias Humanas - UFMG, pp. 219-232.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Masschelein, J. &amp; Simons, M. (2013). &lt;i&gt;Em defesa da escola: uma quest&#227;o p&#250;blica&lt;/i&gt;. Belo Horizonte: Aut&#234;ntica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sarlo, B. (2007). &lt;i&gt;Siete ensayos sobre Walter Benjamin&lt;/i&gt;. Buenos Aires: Fondo de Cultura Econ&#243;mica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vigotski, L. S. (1998). &lt;i&gt;Psicolog&#237;a Pedag&#243;gica&lt;/i&gt;. Buenos Aires: Aique.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb2-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;La Escuela de Cine Djalma fue implementada en 2012 en la Escuela Municipal Prefeito Djalma Maranh&#227;o en la favela de Vidigall, Rio de Janeiro, Brasil. Fue una de las cuatro escuelas p&#250;blicas seleccionadas por el Edital 134 Sele&#231;&#227;o de Escolas de Cinema CINEAD publicado en el Di&#225;rio Oficial da Uni&#227;o &#8211; DOU de 21 de noviembre de 2011- Secci&#243;n 3, p&#225;ginas 91/92. Dispon&#237;ble en: &lt;a href=&#034;https://www.jusbrasil.com.br/diarios/32418815/dou-secao-3-21-11-2011-pg-91&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;https://www.jusbrasil.com.br/diarios/32418815/dou-secao-3-21-11-2011-pg-91&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Disponible en: &lt;a href=&#034;https://www.youtube.com/watch?v=MZy_zvtqT_Q&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;https://www.youtube.com/watch?v=MZy_zvtqT_Q&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-3&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-3&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;3&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Disponible en: &lt;a href=&#034;https://cinead.org/&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;https://cinead.org/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-4&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-4&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;4&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;CINEDUC &#8211;Cinema e Educa&#231;&#227;o&#8211; fue creado en 1970 con la preocupaci&#243;n de ofrecer a los ni&#241;os y a los j&#243;venes la posibilidad de conocer los elementos del lenguaje cinematogr&#225;fico, dentro del Plan DENI.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-5&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-5&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;5&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Lanzado por Kodak en 1965, el super-8 es una evoluci&#243;n de la pel&#237;cula 8mm, con una superficie mayor de imagen. Durante los a&#241;os 1960 e 1970, result&#243; muy exitoso entre cineastas &lt;i&gt;amateurs&lt;/i&gt; In: BOSI, Ma&#237;ra Magalh&#227;es. Filmes de fam&#237;lia e constru&#231;&#227;o de lugares de mem&#243;ria: Estudo de um material de Super-8 rodado em Fortaleza e de sua retomada em Supermem&#243;rias. &lt;i&gt;Disserta&#231;&#227;o&lt;/i&gt; (Mestrado em Comunica&#231;&#227;o e Cultura) &#8211; Centro de Filosofia e Ci&#234;ncias Humanas, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-6&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-6&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-6&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;6&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Director de la Cinemateca del Museo de Arte Moderno de Rio de Janeiro (MAM-Rio) y una de las mayores autoridades en preservaci&#243;n audiovisual en Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-7&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-7&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-7&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;7&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#233;s: &#8220;a imagem o lampejo passante que transp&#245;e, tal um cometa, a imobilidade de todo o horizonte.&#8221; (Didi-Huberman, 2011, p. 117).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-8&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-8&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-8&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;8&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#233;s: &#8220;Uma telescopagem do passado atrav&#233;s do presente&#8221; (Benjamin, 2009, p. 512).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-9&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-9&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-9&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;9&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Disponible en: &lt;a href=&#034;https://mostrajoaquimvenancio.wordpress.com/mesa-redonda-cinema-audiovisual-e-educacao/&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;https://mostrajoaquimvenancio.wordpress.com/mesa-redonda-cinema-audiovisual-e-educacao/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-10&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-10&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-10&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;10&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n original en portugu&#233;s: &#8220;os poss&#237;veis v&#237;nculos entre o cinema e a educa&#231;&#227;o se multiplicam a cada momento, a cada nova iniciativa ou projeto que os coloca em di&#225;logo. Fundamentalmente, trata-se de um gesto de cria&#231;&#227;o que promove novas rela&#231;&#245;es entre as coisas, pessoas, lugares e &#233;pocas.&#8221; (Fresquet, 213, p. 19)&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-11&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-11&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-11&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;11&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&lt;i&gt;De la tomada a la retomada: origem y migraci&#243;n del cine dom&#233;stico brasile&#241;o&lt;/i&gt; (Traducci&#243;n nuestra).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-12&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-12&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-12&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;12&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Telecine es un proceso convencional utilizado para convertir &lt;i&gt;films&lt;/i&gt; en pel&#237;cula para v&#237;deo. B&#225;sicamente es realizar la filmaci&#243;n de una proyecci&#243;n. En nuestro caso, la filmaci&#243;n de la proyecci&#243;n de los &lt;i&gt;films&lt;/i&gt; Super-8, fue realizada por M&#225;rcio Melges, de Telecine Fevereiro y acompa&#241;ada por Marta Guedes y Marta Chamarelli, em mayo/junio de 2018.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-13&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-13&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-13&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;13&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Miembro del Grupo CINEAD y voluntaria en la recuperaci&#243;n del material f&#237;lmico de Fel&#237;cia Krumholz na Cinemateca do MAM-Rio en 2018.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-14&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-14&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-14&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;14&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Protectores que sirven para fijar los carretes de los &lt;i&gt;films&lt;/i&gt; en la moviola para limpiar las cintas pasando de un carrete al otro.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-15&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-15&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-15&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;15&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;El alcohol isoprop&#237;lico es utilizado para la limpieza de las pel&#237;culas, ya que su porcentaje de agua es menor al 1%, lo que evitar&#237;a el proceso de oxidaci&#243;n.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-16&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-16&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-16&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;16&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Moviola era una marca de equipo de montaje cinematogr&#225;fico que, en muchos pa&#237;ses, se volvi&#243; sin&#243;nimo de mesa de montaje.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-17&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-17&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-17&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;17&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Cilindro para enroscar pel&#237;culas.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-18&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-18&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-18&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;18&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Entendemos &#8220;La atracci&#243;n del archivo&#8221; como el gusto por los archivos. T&#237;tulo de la obra original en franc&#233;s &#8220;&lt;i&gt;Le go&#251;t de l'archive&lt;/i&gt;&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-19&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-19&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-19&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;19&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#233;s: &#8220;as imagens que nos inquietam est&#227;o separadas de n&#243;s pelo espa&#231;o da hist&#243;ria, por um vazio de significados que nos impele a reconstruir suas trajet&#243;rias e que permite que elas sejam abertas para outros usos.&#8221; (Blank, 2015, p. 23).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-20&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-20&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-20&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;20&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Destacamento de Opera&#231;&#245;es de Informa&#231;&#227;o &#8211; Centro de Opera&#231;&#245;es de Defesa Interna. DOI-CODI fue un &#243;rgano subordinado al Ej&#233;rcito brasile&#241;o. Un &#243;rgano de inteligencia y represi&#243;n del gobierno durante la dictadura empresario-militar brasile&#241;a, luego del golpe de 1964.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-21&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-21&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-21&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;21&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#233;s: &#8220;Deveria se falar de uma crescente condensa&#231;&#227;o (integra&#231;&#227;o) da realidade, na qual tudo o que &#233; passado (em seu tempo) pode adquirir um grau mais alto de atualidade do que no pr&#243;prio momento de sua exist&#234;ncia. O passado adquire o car&#225;ter de uma atualidade superior gra&#231;as &#224; imagem como a qual e atrav&#233;s da qual &#233; compreendido. Esta perscruta&#231;&#227;o dial&#233;tica e a presentifica&#231;&#227;o das circunst&#226;ncias do passado s&#227;o a prova da verdade da a&#231;&#227;o presente. Ou seja: ela acende o pavio do material explosivo que se situa no ocorrido (cuja figura aut&#234;ntica &#233; a moda). Abordar desta maneira o ocorrido significa estud&#225;-lo n&#227;o como se fez at&#233; agora, de maneira hist&#243;rica, mas de maneira pol&#237;tica, com categorias pol&#237;ticas.&#8221; (Benjamin, 2009, p. 436-437)&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-22&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-22&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-22&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;22&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Cinta casete que conten&#237;a el material de archive de Fita cassete que constava do material de Fel&#237;cia Krumholz recuperado por la Escuela de Cine de Djalma y que hoy pertenece al archive de la Cinemateca del MAM-Rio, en el Lote de la Associa&#231;&#227;o dos Moradores da Vila do Vidigal.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-23&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-23&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-23&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;23&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#234;s: &#8220;notadamente no recurso sistem&#225;tico aos planos fixos, &#224;s repeti&#231;&#245;es de uma mesma cena e &#224;s esp&#233;cies de closes que resultam disso. Aquilo que vemos, n&#243;s revemos uma segunda vez com um pouco mais de precis&#227;o e com o sentimento de que nossos olhos se abriram.&#8221; (Didi-Huberman, 2018 p. 125).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-24&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-24&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-24&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;24&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;El comandante Miguel Nunes, egres&#243; de la milicia colonial a la cual ingres&#243; en 1770, ten&#237;a en 1809 el cargo de mayore sirviendo como ayudante y despu&#233;s como segundo-comandante en la nueva fuerza policial de la Corte de R&#237;o de Janeiro. Conocido como implacable y truculento, el comandante Vidigal comandaba personalmente asaltos a los quilombos o campamentos de personas negras en situaci&#243;n de esclavitus fugitivas en zonas arboladas de los morros de la ciudad de R&#237;o de Janeiro, servindo primeiro como ajudante e depois como segundo-comandante na nova for&#231;a policial da Corte do Rio de Janeiro. En 1820 el comandante Vidigal recibe de los monjes benedictinos tierras al pie del morro Dois Irm&#227;os. Este terreno tuvo sus primeras ocupaciones a partir de 1940 y actualmente es la favela de Vidigal (Gomes, 2007).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-25&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-25&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-25&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;25&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;En el momento en el que se escribi&#243; este art&#237;culo ocupa el cargo de Presidente de Brasil el ex capit&#225;n del ej&#233;rcito Jair Messias Bolsonaro, autor de la c&#233;lebre e indigna frase &#8220;e da&#237;?&#8221;, usada frecuentemente por &#233; para responder a las m&#225;s diversas cuestiones del ejercicio de su gobierno, tales como la cantidad de muertos por la pandemia de la Covid-19, as&#237; como su gesto de armas en alto, con la intenci&#243;n de armar a la poblaci&#243;n civil brasile&#241;a. El Gobernador de Estado de Rio de Janeiro en ejercicio es Claudio Bonfim de Castro e Silva, formado en derecho y con una carrera como cantante de gospel e indicado por el vicegobernador Pastor Everaldo. Claudio Silva sustituye al Gobernador Wilson Witzel, separado de su cargo por investigaci&#243;n de desv&#237;o de recursos de Salud del Estado, el 26 de agosto de 2020. Witzel es autor de la frase &#8220;tiros na cabecinha&#8221; como justificaci&#243;n de la pol&#237;tica de la Polic&#237;a Militar en las favelas cariocas.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-26&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-26&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-26&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;26&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#234;s: &#8220;Existe &#8216;um saber ainda n&#227;o consciente' do ocorrido, cujo fomento possui a estrutura do despertar.&#8221; (Benjamin, 2009, p. 962).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-27&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-27&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-27&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;27&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente veris&#243;n en portugu&#233;s: &#8220;a partir deles, no entanto, recria-se sempre a vida de novo.&#8221; (Benjamin, 2009, p. 501).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-28&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-28&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-28&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;28&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#234;s: &#034;A maneira como o passado se adapta &#224; sua pr&#243;pria atualidade superior &#233; determinada e criada pela imagem pela qual e sob a qual &#233; compreendido &#8211; tratar o passado, ou melhor: tratar o ocorrido, n&#227;o como se fez at&#233; agora, segundo o m&#233;todo hist&#243;rico, mas segundo o m&#233;todo pol&#237;tico.&#8221; (Benjamin, 2009, p. 939).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-29&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-29&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-29&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;29&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#234;s: &#8220;A escola como espa&#231;o de iguais deveria convidar todos a se aproximar de novo, como nova experi&#234;ncia, desses objetos que habilitam um encontro distinto com o mundo, e que permitem a cada um apropriar-se dele, encontrar um lugar nele, acessar suas linguagens como modos de representa&#231;&#227;o das experi&#234;ncias humanas.&#8221; (Dussel, 2017, p 103).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-30&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-30&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-30&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;30&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Traducci&#243;n nuestra de la siguiente versi&#243;n en portugu&#233;s: &#8220;Uma teoria de t&#233;cnicas com o potencial &#250;nico de induzir a aten&#231;&#227;o e o interesse e apresentar ou abrir o mundo.&#8221; (Masschelein &amp; Simons, 2013, p. 66).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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